A inteligência artificial está a transformar o mundo a uma velocidade sem precedentes, mas o progresso no desenvolvimento humano não acompanha esse ritmo. É esta a principal conclusão do Relatório de Desenvolvimento Humano 2025 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que alerta para o risco real de a IA aprofundar desigualdades em vez de as reduzir.
O documento frisa que o futuro com IA não será definido pela tecnologia em si, mas pelas escolhas políticas, sociais e económicas que orientarem a sua utilização. Contudo, o panorama actual é preocupante: o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) global estagnou, e a recuperação após a pandemia da COVID-19 está a perder fôlego. As desigualdades entre países com IDH muito alto e aqueles com IDH baixo voltaram a aumentar, revertendo anos de convergência.
“A inteligência artificial não decide por nós — são as nossas escolhas que determinarão se ela amplia o progresso ou aprofunda a desigualdade.”
A ONU compara o potencial da IA ao da electricidade, capaz de transformar profundamente sectores como a saúde, a educação e o mercado de trabalho. Mas esse potencial, adverte o relatório, só se concretiza se for acompanhado de políticas públicas inclusivas e investimentos em capacitação humana.
Três áreas-chave de acção são propostas:
Economia da complementaridade – Promover uma convivência entre trabalho humano e inteligência artificial, focando na colaboração em vez da substituição.
Inovação com propósito – Direccionar a investigação e o desenvolvimento tecnológico para fins sociais concretos, alinhando lucro com bem-estar colectivo.
Investir em capacidades – Qualificar pessoas, em especial as mais vulneráveis, para que possam participar e beneficiar da nova economia digital.
Outro ponto crítico é a desigualdade na própria produção da IA. A maioria dos modelos actuais reflecte realidades de países de rendimento elevado, o que exclui contextos culturais, linguísticos e sociais de grande parte da população mundial. O relatório apela à democratização da tecnologia e à inclusão de vozes do Sul Global no desenvolvimento de sistemas de IA.
A ONU termina com uma advertência clara: a IA não é inevitavelmente benéfica ou prejudicial — tudo depende de como for usada. E essa escolha é, em última instância, humana.
