No seu primeiro decreto presidencial, Daniel Chapo, empossado na quarta-feira, oficializou uma profunda reforma administrativa com a extinção de nove ministérios e três secretarias de Estado, além de anunciar a criação de novas entidades governamentais. A medida, segundo a Presidência, visa reduzir custos, modernizar a gestão pública e combater a corrupção.

Os ministérios extintos incluem os da Economia e Finanças, Transportes e Comunicações, Cultura e Turismo, Agricultura e Desenvolvimento Rural, Terra e Ambiente, Mar, Águas Interiores e Pescas, Indústria e Comércio, Trabalho e Segurança Social, Educação e Desenvolvimento Humano e Tecnologia e Ensino Superior. Foram igualmente eliminadas as secretarias de Estado da Juventude e Emprego, Desportos e Ensino Superior.

A nova estrutura prevê a criação de ministérios como o das Finanças, Economia, Agricultura, Ambiente e Pescas, Transportes e Logística, Educação e Cultura, Trabalho, Género e Acção Social, Comunicações e Transformação Digital, Planificação e Desenvolvimento e Juventude e Desportos. Entre as novidades, destaca-se a aposta na digitalização dos serviços públicos e a criação de um Ministério dos Transportes e Logística, com foco nos caminhos-de-ferro e portos.

Durante o discurso de tomada de posse, Chapo comprometeu-se a colocar "o povo no centro das decisões", prometendo ainda reduzir o tamanho do Governo e poupar cerca de 17 mil milhões de meticais por ano, valor a ser redireccionado para áreas como educação, saúde, agricultura, água, energia e infra-estruturas.

Outras promessas incluem a eliminação da figura de vice-ministro, a revisão das regalias dos dirigentes públicos e a criação de tribunais de contas e centros de arbitragem para acelerar processos administrativos.

Porém, a vitória de Daniel Chapo continua a ser alvo de contestação, com manifestações pró-Venâncio Mondlane, o segundo candidato mais votado, a exigirem "a reposição da verdade eleitoral". Os protestos, marcados por confrontos com a polícia, já resultaram em mais de 300 mortos e 600 feridos, segundo organizações da sociedade civil.