A questão do Acordo Ortográfico de 1990 volta a estar em destaque em Portugal, através de um artigo de opinião de Maria José Abranches G. dos Santos, publicado no jornal PÚBLICO. Num ano de celebração do cinquentenário do 25 de Abril, a autora apela aos responsáveis políticos e aos meios de comunicação para não ignorarem a polémica que envolve o acordo, evidenciando uma divisão ainda persistente na sociedade portuguesa. Este tema ganha relevância num momento em que muitos portugueses expressam o desejo de regressar às normas ortográficas anteriores.

Abranches G. dos Santos critica a imposição política do acordo, considerando-a um atentado à democracia alcançada após a revolução de 25 de Abril de 1974. No seu artigo, sublinha a necessidade de preservar a língua portuguesa, um pilar fundamental da identidade e cultura nacionais, enfraquecido pela adopção do acordo.

A discussão em torno do Acordo Ortográfico não se limita a Portugal. Moçambique e Angola, apesar de signatários, mantêm-se fieis às normas ortográficas anteriores, não tendo implementado as alterações propostas. Esta resistência sublinha a complexidade e a sensibilidade que envolvem a língua portuguesa, partilhada por vários países mas vivida de maneiras distintas.

O artigo aponta o descontentamento de parte da população portuguesa com as alterações impostas pelo acordo, incluindo a eliminação de consoantes mudas e a alteração de regras de acentuação, que afastam a língua portuguesa de suas raízes etimológicas e da sua história. Além disso, evidencia a falta de consenso e a problemática implementação do acordo, que alterou a forma como a língua é ensinada, sem considerar o impacto profundo nas gerações futuras.

Este debate reacendido por Abranches G. dos Santos reflecte a contínua paixão e o cuidado que os portugueses têm pela sua língua, num apelo aos responsáveis políticos para reavaliarem a adesão ao Acordo Ortográfico de 1990. Num momento de reflexão sobre a democracia e a identidade nacional, a discussão sobre o futuro da língua portuguesa permanece uma questão aberta e significativa.