Num gesto que marca uma nova fase nas relações entre a Rússia e o continente africano, o governo russo começou a distribuição gratuita de cereais para seis países africanos, cumprindo a promessa feita pelo Presidente Vladimir Putin em Julho deste ano. Segundo informações divulgadas pelo portal de notícias 360° Mozambique, esta iniciativa abrange até 200 mil toneladas de cereais, destinadas a nações que enfrentam desafios significativos em termos de segurança alimentar.

O Ministro da Agricultura russo, Dmitry Patrushev, através de um comunicado enviado por Telegram, informou que os primeiros envios já estão a caminho da Somália e do Burkina Faso. Além destes, estão previstas entregas para a Eritreia, Zimbabué, Mali e a República Centro-Africana (RCA), numa clara demonstração de apoio russo a estas nações.

Esta acção humanitária surge num contexto particularmente tenso, após a Rússia ter abandonado a Iniciativa para os Cereais do Mar Negro, um acordo que facilitava o transporte de cereais ucranianos através dos portos do Mar Negro. Este acordo tinha contribuído para a redução dos preços dos cereais no mercado mundial. Contudo, Putin criticou a iniciativa, alegando que ela não beneficiava os países mais necessitados, apesar de a Rússia ter exportado cerca de 60 milhões de toneladas de cereais no último ano.

A retirada russa deste acordo foi seguida por ataques a portos ucranianos e instalações de armazenamento de cereais, acções que, de acordo com Kiev, resultaram na destruição de centenas de milhares de toneladas de cereais. Estes eventos exacerbaram as preocupações globais sobre a segurança alimentar, especialmente em regiões já vulneráveis como é o caso de várias nações africanas.

Entretanto, a Ucrânia anunciou recentemente que conseguiu embarcar 4,4 milhões de toneladas de mercadorias, incluindo 3,2 milhões de toneladas de cereais, através de um canal marítimo estabelecido em Agosto, numa tentativa de mitigar os impactos da crise.

Este desenvolvimento representa um momento significativo nas relações internacionais e destaca o papel crucial que a Rússia e a Ucrânia desempenham no abastecimento global de cereais. Para os países africanos beneficiados, esta ajuda chega num momento crítico, oferecendo um alívio necessário face aos desafios alimentares que enfrentam.