O cultivo da castanha de caju em Moçambique está a atravessar uma fase de vigor renovado, com impacto directo na vida das comunidades agrícolas. De acordo com uma nota do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, a campanha 2024/2025 superou expectativas, atingindo mais de 195 mil toneladas – um número significativamente acima da meta inicial de 160 mil toneladas.
Este desempenho é atribuído às boas práticas agrícolas e ao esforço contínuo dos produtores. “Este crescimento teve impacto directo nas comunidades, permitindo que muitas famílias melhorassem as suas condições de vida, com acesso à habitação, educação e a outros bens e serviços que satisfaçam as necessidades básicas”, lê-se na nota oficial emitida após a visita do ministro Roberto Albino ao Instituto de Amêndoas de Moçambique (IAM), na passada quarta-feira.
Apesar dos avanços, o titular da pasta da Agricultura reforçou que “a quantidade deve vir acompanhada da qualidade”, apontando como prioridade o reforço da cadeia de valor do caju. Durante a reunião, foi apresentado um ambicioso plano de desenvolvimento do sector, com horizonte temporal entre 2025 e 2035, liderado pelo IAM. O foco será a criação de emprego, o aumento da competitividade e a promoção da exportação de produtos transformados.
O Ministério orientou ainda o Instituto de Amêndoas a analisar modelos bem-sucedidos noutros países líderes do sector, como a Costa do Marfim, e a adaptar essas práticas à realidade moçambicana. “Temos de fazer diferente com o que temos – e fazer bem”, sublinhou Roberto Albino.
O preço de referência para o produtor foi mantido nos 45 meticais por quilo nesta campanha. A decisão, tomada em 10 de Outubro pelo Comité de Amêndoas, visa garantir a sustentabilidade do sector. “Vamos manter o preço de referência em 45 meticais. E vamos fazer acompanhamento da evolução da condição do mercado”, disse o secretário de Estado do Mar e Pescas, Momade Juízo, durante a primeira sessão anual do comité, em Maputo.
Com as 195.400 toneladas registadas nesta última campanha, Moçambique aproxima-se do seu antigo esplendor, vivido nos anos 70, quando o país era o segundo maior produtor mundial, com 210 mil toneladas processadas em 1973. Após a independência, em 1975, a produção caiu drasticamente para cerca de 15 a 20 mil toneladas anuais, mas tem vindo a recuperar progressivamente.
No primeiro trimestre do ano, a exportação de castanha de caju rendeu ao país 38,7 milhões de dólares, mantendo o produto no topo da lista dos designados “produtos tradicionais”, conforme dados do Banco de Moçambique.
