A notícia chegou como um eco de orgulho que atravessou fronteiras: Paulina Chiziane foi distinguida como a melhor escritora de África de 2026. A reacção não tardou. Em Moçambique, o Presidente Daniel Chapo classificou o feito como um verdadeiro “orgulho nacional”, sublinhando o peso simbólico de uma carreira construída com autenticidade e firmeza cultural.
O prémio foi atribuído na terça-feira, em Luanda, durante o African Award — Creators and Directors Excellence 2026, consolidando o estatuto internacional da autora que, em 2021, já havia conquistado o Prémio Camões.
Numa mensagem oficial, Daniel Chapo destacou o percurso singular da escritora, descrevendo-o como um exemplo de coragem e compromisso com a afirmação da identidade africana. Sublinhou ainda o impacto profundo da sua obra, capaz de estimular a reflexão social e de inspirar sucessivas gerações.
“A sua obra continua a inspirar gerações, contribuindo para o fortalecimento da consciência colectiva e para a valorização das nossas raízes culturais no contexto global”, afirmou.
Nascida em Manjacaze, no sul de Moçambique, em 1955, Paulina Chiziane construiu uma carreira literária marcada por pioneirismo e ousadia. Em 1990, publicou “Balada de Amor ao Vento”, considerado o primeiro romance de uma mulher moçambicana, abrindo caminho para novas vozes femininas na literatura do país.
Seguiram-se obras que consolidaram a sua relevância, como “Ventos do Apocalipse”, concluído em 1991 e publicado em Maputo em 1993, antes de ganhar edição em Portugal em 1999. A sua bibliografia inclui títulos incontornáveis como “Sétimo Juramento” (2000), “Niketche: Uma História de Poligamia” (2002) e “O Alegre Canto da Perdiz” (2008), todos editados pela Editorial Caminho.
A produção literária da autora estende-se ainda a obras como “As Andorinhas” (2009), “Na Mão de Deus” e “Por Quem Vibram os Tambores do Além” (2013), “Ngoma Yethu: O Curandeiro e o Novo Testamento” (2015), “O Canto dos Escravos” (2017) e “O Curandeiro e o Novo Testamento” (2018).
Mais do que um percurso literário, trata-se de uma travessia cultural. E, agora, também de um reconhecimento continental que coloca, uma vez mais, Moçambique no mapa maior das letras africanas.
