Parque Urbano do Rio Chiveve
Pulmão da cidade da Beira
Escrito por: Precidónio Silvério
No centro da cidade da Beira, no Rio Chiveve, nasceu uma infra-estrutura com 4 bacias, cobrindo 47 hectares. Enorme, não só pela sua extensão, mas também pela grandeza que carrega. Chama-se Parque Urbano do Rio Chiveve.
No Rio Chiveve existem mangais, um ecossistema marinho que, à semelhança de muitos existentes ao longo do país, estava a ser destruído por acção humana. Homens e mulheres arrancavam as plantas e arbustos para vários fins. O lugar é conhecido como “o pulmão da Beira”, pois a riqueza biológica que ali brota lhe faz merecer esse nome. Quando o Homem actua contra este tipo de biodiversidade, não é só o mangal que sofre, morrem também diversas espécies animais que têm neste ecossistema o seu habitat.
A construção do Parque Urbano do Rio Chiveve teve início em 2017. Passaram sensivelmente cinco anos até à sua conclusão. Esta infra-estrutura foi pensada não só para que sirva de protecção e preservação do mangal, mas também para criar espaços de lazer para a população da Beira. Maria Pinto de Sá, coordenadora da arte e artesanato no Parque, foi quem nos mostrou a complexidade deste património: “Antes de se pensar em preservar, foi preciso replantar o mangal e dar muita vida a este pulmão da cidade”, segredou-nos.
Um lugar repleto de encantos
Não é só o mangal que dá vida ao parque. Há muitos encantos que o lugar oferece aos seus visitantes. Há um enorme jardim botânico, espaços de recreação para crianças, restaurantes, pequenas lanchonetes, incluindo sorveterias onde as crianças se deliciam com os seus doces gelados. Há campos multiuso para a prática de várias modalidades de desporto, ginásios ao ar livre, um salão de eventos, um pavilhão de lojas e escritórios, um mercado e um centro de exposições. A lista também contempla ainda cerca de 7 Km de passadiços em madeira e uma ciclovia. Toda esta diversidade de encantos se encontram neste parque situado no coração da Beira. Inaugurado em Dezembro de 2020 pelo Presidente Filipe Nyusi, o Parque Urbano do Rio Chiveve é o maior parque urbano em África. Ocupa uma área de 45 mil metros quadrados.
A arte também faz parte do cartão de visita do Parque
A Maria Pinto de Sá foi confiado esse propósito. Foi ela quem arregaçou as mangas e coordenou a aquisição e implantação de todas as obras de arte e de artesanato no parque. Segundo Maria, ali se encontram cerca de 50 obras de arte e artesanato, e foi por si feita a selecção dos diferentes tipos de obras, bem como os contactos e convites aos artistas. ʽʽA minha grande preocupação, quando convidei os diversos artistas, foi que o parque tivesse uma grande variedade de obras e de artistas nacionais representativos da nossa cultura. Temos, por exemplo, um grande mural do artista consagrado Sitoe, e murais pintados do beirense Alex Dunduro e de mais jovens, como Hotélio, Afro Ivan e Kassiano. Um baixo-relevo em mármore do mestre Idasse, e vários painéis cerâmicos de João Donato. Esculturas em aço de Djerry. Dada a ligação da nossa cidade, principalmente através do seu porto, com o vizinho Zimbabwe, também não nos esquecemos de convidar artistas desse país, e assim podemos ver no parque esculturas em pedra e muitos animais em ferro (elefantes, girafas. rinocerontes e outros)”.
O Parque Urbano do Rio Chiveve foi erguido com financiamento do Banco Mundial e do Governo alemão (KFW), com uma contribuição de 50 por cento cada. A entidade que o tutela é o Município da Beira.
