No rio Limpopo, em Moçambique, uma floresta de mangais destruída pelas cheias voltou a viver graças ao empenho da comunidade local, que desenvolve actividades sustentáveis como a produção de mel.
“Ao longo das margens do rio crescia uma densa floresta de mangais. Depois, a cheia de 2000 levou tudo.” Agostinho Nhanzimo é o presidente do Comité de Gestão dos Recursos Naturais do estuário do rio Limpopo. É ele quem conta os acontecimentos que, primeiro, destruíram e, depois, fizeram renascer a floresta de mangais nas proximidades de Xai-Xai, cidade costeira do sul de Moçambique, a cerca de 200 quilómetros da capital, Maputo. Outrora exuberante, a floresta ribeirinha sofreu, ao longo dos anos, os efeitos combinados da acção humana e das forças naturais que a mutilaram. Depois veio o renascimento, quando o empenho de organizações locais e internacionais levou ao desenvolvimento de actividades económicas sustentáveis que hoje garantem a saúde dos mangais.
Nascido e criado em Chilaulene, um pequeno centro rodeado por dunas de areia e planícies de lama, Nhanzimo viu a história do seu país atravessar a floresta de mangais do Limpopo. A longa guerra civil, travada entre 1976 e 1992 deixou marcas também neste recanto. A floresta, rodeada pelas águas do rio e do oceano, tinha apenas uma entrada e uma saída. “As tropas não entravam nesta área para evitar ficarem encurraladas”, conta Nhanzimo. “Assim, muitas pessoas instalaram-se perto do estuário do Limpopo para fugir ao conflito, começando a explorar os recursos locais.” Além disso, outros factores, como a subida do nível do mar e a transformação do solo em salinas, enfraqueceram, ao longo do tempo, a floresta de mangais, até que, em 2000, chegaram o ciclone Eline e as cheias subsequentes. Submersos durante 45 dias, os mangais da margem norte do rio morreram por stress hídrico e mais de 400 hectares de floresta foram perdidos.
Futuro nas raízes
Foram necessários anos para devolver a vida ao mangal. Desde 2010, com o apoio de organizações internacionais como o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), a Usaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) e a Convenção de Nairobi, os esforços da população local permitiram que a floresta renascesse. Com a orientação da Agência Moçambicana para o Controlo da Qualidade Ambiental (Aqua), as comunidades do estuário do Limpopo criaram um viveiro de mangais e plantaram jovens mudas entre os meandros do rio, utilizando a restauração hidrológica, uma técnica que consiste em escavar canais ao longo da floresta para garantir a circulação da água. Com a maré, as sementes e os propágulos das jovens plantas difundem-se mais facilmente e estabilizam-se onde conseguem adaptar-se melhor. Assim, hoje, na margem norte do Limpopo, voltou a existir uma floresta rica em espécies de mangais. Mas o objectivo final não é a simples restauração.
Como explica à Nuova Ecologia Jacinta Laissone, delegada provincial da Aqua, “Agora é necessário garantir a sustentabilidade económica e ecológica do mangal, mantendo a floresta saudável e promovendo o desenvolvimento de actividades alternativas à exploração dos recursos oferecidos pelos mangais. Por isso pensámos na produção de mel. Graças à venda do produto, por exemplo, não é necessário explorar madeira para obter rendimentos económicos e, ao mesmo tempo, protege-se a floresta de mangais que acolhe as colmeias.” A produção de mel é, portanto, de momento, apenas o último capítulo da longa história de renascimento e conservação dos mangais do estuário do Limpopo.
Segundo Nhanzimo, “O mel que produzimos entre os mangais é uma grande oportunidade para a nossa comunidade.”
Os primos Rogério Salomão Mauai e Carlos Macave também fazem parte do Comité de Gestão dos Recursos Naturais do estuário do Limpopo e cuidam das colmeias. Após a cheia de 2000, tinham deixado as margens do rio para procurar trabalho na África do Sul. Mas depois, graças à recuperação do mangal, regressaram a Chilaulene. “Para a nossa comunidade, a reconstrução da floresta era importante. Aqui, os mangais são fundamentais para o sustento dos habitantes e para a protecção do território”, afirma Mauai. Todos os dias, os dois primos controlam as jovens plantas do viveiro e, todas as semanas, visitam as abelhas das colmeias. “A produção de mel é uma actividade nova e já se começam a ver os resultados. Garante um apoio económico quando outros recursos escasseiam”, explica Macave. Nos períodos de seca e de proibição da pesca, o mel pode também representar uma fonte adicional de rendimento.
Caracterizado por uma cadeia artesanal, o mel de mangal do estuário do Limpopo é hoje vendido apenas localmente, mas o objectivo é aumentar a produção para alcançar outros mercados. “Um quilo de mel é vendido por cerca de 500 meticais (cerca de 7 euros), mas em cidades como Maputo o preço pode subir até 1000 meticais”, explica Erudito Malate, coordenador da FAO, que, em 2023, apoiou a iniciativa fornecendo 200 colmeias. “Cada colmeia pode chegar a produzir 12 quilos de mel por ano, proporcionando assim um rendimento adicional muito útil para a população local.”
Em outras zonas de Moçambique e das regiões tropicais do mundo, a produção de mel de mangal está a afirmar-se como uma actividade económica sustentável capaz de reduzir a pressão sobre estas florestas em risco, que crescem entre o mar e a terra. Ainda limitado a poucos mercados, o mel de mangal distingue-se pelo seu sabor doce e salgado. “É um mel diferente daquele produzido noutras florestas tropicais. É mais denso, mais escuro e mais saboroso, graças às plantas que as abelhas visitam para recolher o néctar”, conclui Agostinho Nhanzimo, enquanto observa as mais de 200 colmeias espalhadas entre os mangais do estuário do seu Limpopo.
(Este artigo foi originalmente publicado na revista italiana La Nuova Ecologia e é aqui reproduzido com autorização do autor.)
