Como transformar parcerias institucionais em respostas capazes de produzir mudanças concretas na vida das crianças? A questão esteve no centro de um diálogo promovido pela ChildFund Moçambique, que juntou representantes do Governo, das Nações Unidas, do sector privado, da sociedade civil e da academia para discutir modelos de intervenção assentes nas necessidades identificadas pelas próprias comunidades.
O encontro, realizado sob o tema “Parcerias que Geram Impacto: Soluções Lideradas Localmente para as Crianças em Moçambique”, colocou em discussão o papel dos diferentes sectores na procura de soluções para alguns dos desafios sociais enfrentados pelo país.
Entre os participantes esteve o Millennium bim, que apresentou experiências desenvolvidas nas áreas da educação, saúde e literacia financeira, defendendo que as intervenções sociais devem partir de uma leitura concreta das necessidades existentes no terreno e envolver as comunidades na definição das prioridades.
Durante a mesa-redonda, Christine Ramela, Directora do Departamento de Comunicação Institucional e Responsabilidade Social Corporativa do Millennium bim, sustentou que a eficácia das parcerias depende menos da simples disponibilização de recursos e mais da capacidade de articular diferentes competências.
“Uma parceria gera verdadeiro impacto quando não começa naquilo que uma instituição pretende oferecer, mas naquilo de que as comunidades efectivamente precisam. Mais do que juntar recursos, precisamos de combinar capacidades, conhecimento e diferentes perspectivas para responder a problemas concretos e produzir resultados que permaneçam para além do período de apoio”, afirmou.
Na educação, foi apresentada a experiência de construção de três salas de aula e entrega de 150 carteiras na Escola Primária de Matola-Sede, uma intervenção realizada em resposta a necessidades identificadas junto da comunidade escolar.
O debate estendeu-se à saúde, com referência ao apoio prestado a unidades hospitalares de cuidados neonatais através da disponibilização de equipamentos e materiais destinados a melhorar as condições de atendimento aos recém-nascidos e de trabalho das equipas de saúde.
Outra experiência apresentada foi a elaboração conjunta de um Manual de Literacia Financeira Digital com uma organização da sociedade civil. O instrumento aborda matérias como gestão do dinheiro, poupança, crédito responsável e utilização segura dos serviços financeiros digitais, procurando tornar estes conteúdos acessíveis aos seus destinatários.
Para além dos projectos apresentados, a discussão incidiu sobre as condições necessárias para que as parcerias produzam resultados duradouros. Entre os aspectos apontados estiveram a definição antecipada de objectivos, a distribuição clara de responsabilidades e a existência de mecanismos que permitam acompanhar os resultados alcançados.
O envolvimento das próprias comunidades foi igualmente apontado como um elemento central, tanto na identificação das prioridades como na construção das respostas. A abordagem procura evitar intervenções desligadas das realidades locais e aumentar as possibilidades de continuidade das iniciativas depois de terminado o apoio inicial.
No encontro, foi ainda defendida uma participação do sector privado que ultrapasse o financiamento de projectos. Conhecimento técnico, capacidade de mobilização e articulação com instituições públicas, organizações da sociedade civil e outros actores foram apresentados como componentes que podem contribuir para construir respostas ajustadas às diferentes realidades das comunidades moçambicanas.
