Durante décadas, eliminar os mosquitos foi visto como uma missão impossível. Hoje, porém, investigadores em diferentes partes do mundo acreditam que essa batalha pode estar a entrar numa nova fase. O biólogo neerlandês Bart Knols defende que faz sentido erradicar as espécies responsáveis pela transmissão de doenças, enquanto o entomologista norte-americano Raymond St. Leger, da Universidade de Maryland, desenvolve um fungo geneticamente modificado capaz de atrair e matar mosquitos. Ao mesmo tempo, outras equipas científicas testam mosquitos alterados geneticamente e recorrem à bactéria Wolbachia para impedir a reprodução das espécies mais perigosas.

O objectivo não passa por eliminar todas as cerca de 3.700 espécies de mosquitos, mas sim as poucas que transmitem doenças como a malária, dengue, zika e vírus do Nilo Ocidental. Embora estes insectos sejam responsáveis por cerca de 700 milhões de infecções e um milhão de mortes por ano, muitos desempenham funções importantes nos ecossistemas, razão pela qual a maioria dos cientistas rejeita uma erradicação total.

Fora dos laboratórios, a batalha também já chegou às comunidades. Em Washington D.C., Michelle Mingrone mobilizou centenas de famílias para eliminar criadouros, instalar armadilhas e utilizar larvicidas naturais. O projecto, que começou com um simples apelo aos vizinhos, reúne hoje cerca de 1.800 habitações e procura demonstrar que o combate aos mosquitos também pode começar à porta de casa.