Até ao dia 3 de Janeiro próximo, estará atracado no Porto de Maputo o veleiro norueguês Statsraad Lehmkuhl, um dos maiores e mais belos veleiros do mundo.  Partiu da costa da Noruega em Agosto de 2021, para uma viagem de circum-navegação de 20 meses intitulada One Ocean Expedition, que a levará a percorrer um total de 55 mil milhas náuticas, passando por 37 portos. Trata-se de uma expedição oceânica global que visa sensibilizar e compartilhar conhecimento sobre o papel crucial dos oceanos para um futuro sustentável numa perspectiva global, uma vez que enfrentamos desafios comuns, em particular as mudanças climáticas e a acidificação dos oceanos. Em Maputo, para além de uma recepção a bordo, que teve lugar no dia da chegada – 17 de Dezembro – estão a ser realizados seminários para a academia e o sector privado, bem como visitas ao navio, principalmente de crianças e jovens estudantes. De Maputo, o navio partirá para a cidade do Cabo, na África do Sul.

Uma universidade flutuante
O Statsraad Lehmkuhl, de 108 anos de idade, foi construído na Alemanha, em 1914, para fins mercantis, mas navega com a bandeira norueguesa há mais de um século. Foi convertido num navio de pesquisa de última geração que permite colectar continuamente, durante todo o percurso, dados de alta qualidade. Equipado com instrumentos modernos, transporta investigadores e estudantes de diferentes partes do mundo, que colhem informações sobre a água (níveis de dióxido de carbono, acidificação e temperatura) e fazem estudos sobre o lixo marinho. É, pois, uma poderosa ferramenta para divulgação, inspiração e conexão com os oceanos, sendo a expedição reconhecida pela Organização das Nações Unidas. Este veleiro, com 98 metros de comprimento e cujo mastro mais alto mede 48 metros acima do convés, comporta 22 velas e tem uma tripulação de 25 membros, podendo transportar mais 140 formandos em viagem. Pode atingir a velocidade máxima de 17 nós, isto é 31,5 km/h.

Por ocasião da passagem da One Ocean Expedition por Moçambique, está patente no Museus do Mar (Museu das Pescas), em Maputo, também até ao próximo dia 3 de Janeiro, a exposição Oceanos que Nos Unem, uma plataforma que, através de várias imagens informativas nos mostra os desafios na conservação dos ecossistemas marinhos. Realizada por iniciativa da Embaixada da Noruega em coordenação com a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e o Instituto Oceanográfico de Moçambique (InOM), a exposição foi inaugurada por Lídia Cardoso, Ministra do Mar, Águas Interiores e Pescas de Moçambique, que a considerou “uma verdadeira aula sobre o oceano que evoca a sustentabilidade no uso dos recursos marinhos”. A mostra tem como objectivo destacar a biodiversidade marinha de Moçambique, sua importância e necessidade conservação, lançando uma reflexão sobre a Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030).

A Noruega e Moçambique no domínio da pesquisa oceanográfica
A cooperação da Noruega com Moçambique na pesquisa oceanográfica tem já alguns anos. Fridtjof Nansen, outra embarcação norueguesa de pesquisa, visitou já Moçambique, em diferentes ocasiões, tendo envolvido pesquisadores locais, o que criou fortes laços entre os dois países. Segundo o Embaixador do Reino da Noruega em Maputo, Haakon Gram-Johannessen, prevê-se que o Fridtjof Nansen regresse a águas moçambicanas em 2023 para prosseguir as suas actividades de pesquisa.

Recorde-se que as instalações em que decorreu a exposição, inauguradas em Novembro de 2014 com a denominação Museu das Pescas, são também fruto da cooperação da Noruega com Moçambique.