Este é primeiro de uma série de artigos sobre o mercado laboral em Moçambique criados pela equipa do emprego.co.mz com o objectivo de apoiar os processos e estratégias de recrutamento no País.

O recrutamento é uma actividade que pode causar danos financeiros às empresas e à economia, visto que uma contratação errada pode custar entre 30-50% do salário anual para a posição pretendida, segundo vários estudos internacionais, e danos reputacionais e de produtividade que são mais difíceis de quantificar. Em Moçambique, muitos recrutadores ainda não têm processos transparentes e seguros, contribuindo assim para a prevalência do nepotismo, favoritismo e corrupção, que tem crescido no mercado laboral, e afectando negativamente valores como a competência, o merecimento, e a honestidade.

O emprego.co.mz apresenta aqui dados gerados pelas empresas e organizações que recrutam de forma transparente e segura através daquela plataforma, correspondentes a cerca de 10% de todas as vagas de emprego no sector formal de 2012 a 2024, num universo de N=21590.


Segundo estes dados, mais de metade de todas as oportunidades de emprego formal em Moçambique estão na cidade de Maputo (53%), seguida de Cabo Delgado (8%), cabendo às restantes províncias entre 2% a 5%. As vagas que requerem deslocações para vários locais são cerca de 9% do total, e apenas 0,1% das vagas são para candidatos moçambicanos irem trabalhar em outros países.

Isto aparenta indicar que o mercado laboral formal está concentrado maioritariamente na capital (Maputo Cidade), e, pontualmente, nas províncias onde operam os grandes projectos extractivos (Cabo Delgado e Tete) e nos grandes portos (Sofala e Nampula). Nas províncias de Gaza, Inhambane, Manica e Niassa existe muito pouco emprego formal disponível no mercado laboral. Adicionalmente, poderá indicar também uma potencial falta de investimento por parte das multinacionais a operar em Moçambique na criação de oportunidades de carreira para profissionais moçambicanos a serem sediados no estrangeiro (como vimos, presentemente apenas 0,1% das vagas).
Quando analisada a disponibilidade de emprego nas capitais provinciais (urbanas) e nos distritos (rurais) vemos uma média de 61% de todas as vagas concentradas nas zonas urbanas, com exemplos de mais de 90% em Tete e Nampula, e excepções desta tendência em Gaza e Niassa, onde existem proporcionalmente mais oportunidades de emprego nas zonas rurais. A concentração do emprego em áreas urbanas é uma tendência mundial da qual Moçambique não é excepção, porém, a grande concentração de emprego formal na capital Maputo, bem como nas capitais provinciais, evidencia o trabalho que tem de ser feito na criação e divulgação de empregos formais que possam atrair jovens profissionais moçambicanos para oportunidades de carreira e de desenvolvimento nas zonas rurais.

Para concluir, reiteramos que estes dados são apenas das vagas de emprego formal divulgadas por recrutadores que usam processos transparentes no emprego.co.mz, e, portanto, representam apenas uma amostra das vagas disponíveis em Moçambique.