A empresa Talento promoveu a primeira edição das Olimpíadas de Soldadura em Moçambique. No passado dia 5 de Setembro, o Instituto Industrial e Comercial da Matola (IICM) foi palco de um momento inédito no panorama da formação profissional no país, uma iniciativa que visou aproximar estudantes e formadores do mercado de trabalho, enquanto procurou dignificar o ensino técnico-profissional, tantas vezes visto como uma opção de segunda linha face ao ensino superior.

Uma competição para mudar mentalidades

Mais de vinte participantes, entre formandos, profissionais e formadores, puseram à prova as suas competências em técnicas como TIG, MIG/MAG e eléctrodos revestidos. A competição não se limitou à destreza prática: os concorrentes foram avaliados também pela interpretação de desenhos, cumprimento das normas de segurança e gestão de tempo, demonstrando a exigência e a sofisticação que a profissão requer. Na abertura do evento, Frederico Silva, fundador da Talento, defendeu que é preciso “desmistificar o ensino técnico-profissional e mostrar aos jovens que este percurso deve ser encarado como primeira escolha”. Sublinhou ainda que Moçambique precisa de talentos prontos para sustentar a industrialização e responder aos desafios impostos pela transição energética.
Indústria e bancos dão o exemplo

O encontro contou com o patrocínio da Exxon Mobil Mozambique, cujo director-geral, Arne Gibbs, enalteceu a relevância da soldadura no desenvolvimento do sector de petróleo e gás. “Estas Olimpíadas são um passo firme na preparação do país para se destacar na transição energética”, afirmou. Também o banco Absa se juntou como parceiro estratégico. Para Tânia Oliveira, responsável de Marketing e Relações Corporativas, o apoio do banco traduz-se num investimento claro na capacitação técnica e na promoção da empregabilidade: “É um compromisso com o futuro dos jovens moçambicanos e com as comunidades onde actuamos.”

Premiar talento, valorizar a inspiração

No encerramento, os melhores foram distinguidos em duas principais categorias. Entre os formadores e profissionais, os vencedores foram Ingerino Sitoe, Jorge Nhachengo e António Manjate. Já no grupo dos formandos, os premiados foram Lúcia Uamusse, Flora Chau e António Muchanga. Os primeiros classificados de cada categoria receberam um cheque de 25 mil meticais oferecido pelo Absa, além de certificações, formações complementares e kits completos para apoiar o seu desenvolvimento pessoal e as suas actividades. O júri atribuiu ainda o Prémio Mulher Inspiração a Flora Chau, jovem que se destacou pelo seu percurso notável numa área tradicionalmente dominada por homens, mostrando que o futuro da indústria pode – e deve – ser inclusivo.

Uma plataforma para o futuro

A iniciativa não se limitou à competição. Houve espaço para debates sobre “O Futuro da Soldadura na Era do Gás e da Indústria”, sessões de networking, feira de talento e assinatura de memorandos de entendimento com parceiros institucionais como a Associação Industrial de Moçambique (AIMO), a Associação de Conteúdo Local de Moçambique (ACLM), o IICM e o Absa. Estes compromissos visam garantir que os talentos nacionais sejam reconhecidos e valorizados, não apenas a nível interno, mas também no plano internacional. A primeira edição das Olimpíadas de Soldadura deixou claro que o ensino técnico-profissional pode ser motor de desenvolvimento e porta de entrada para um futuro mais industrializado, competitivo e inclusivo em Moçambique. E deixou igualmente a promessa: a segunda edição já está a ser preparada, com a ambição de alcançar mais jovens e consolidar esta visão transformadora.