Na sua primeira vinda a Moçambique, Fábio Porchat trouxe “Histórias do Porchat” a Nampula e Maputo, numa visita marcada pelo humor, pela descoberta do país e pela vontade de criar pontes com artistas moçambicanos.

Fábio Porchat chegou com histórias na bagagem. Histórias de viagens, encontros improváveis, situações embaraçosas e episódios vividos ao longo de dezenas de países, transformados em matéria-prima para um espectáculo que, nos últimos quatro anos, já foi visto por centenas de milhares de pessoas.

A passagem por Moçambique incluiu duas apresentações de “Histórias do Porchat”, organizadas pela Risos Solta, primeiro em Nampula, a 21 de Agosto, e depois em Maputo, no dia seguinte, no Centro Cultural Moçambique-China. Para o humorista brasileiro, um dos criadores do Porta dos Fundos e um dos rostos mais conhecidos da comédia brasileira contemporânea, tratava-se também da concretização de uma vontade antiga de conhecer o país.

Porchat já tinha ouvido falar da beleza de Moçambique, da gastronomia e da relação calorosa do público com o humor brasileiro. A oportunidade de finalmente incluir o país na digressão trouxe-o não apenas para actuar, mas também para experimentar de perto essa ligação.

Em palco, “Histórias do Porchat” parte das experiências acumuladas pelo humorista ao longo de viagens por 79 países. São episódios reais, recuperados com ritmo, interpretação e uma capacidade particular de encontrar humor precisamente nos momentos em que as coisas não correm como previsto.

Viagens atribuladas, encontros inesperados, diferenças culturais e pequenos absurdos do quotidiano vão surgindo numa sucessão de histórias que dispensam grandes artifícios. O centro do espectáculo está na narrativa e na forma como Porchat consegue transportar o público para cada situação.

Há também uma escolha clara na construção do espectáculo. “Histórias do Porchat” evita deliberadamente a política, a polarização e os temas mais controversos. A intenção, segundo o humorista, é criar um espaço onde pessoas diferentes possam simplesmente rir juntas.

Essa simplicidade ajuda também a explicar a capacidade do espectáculo de atravessar fronteiras. Porchat tem apresentado o trabalho a públicos lusófonos em diferentes continentes e reconhece uma proximidade que o continua a surpreender. Brasileiros, portugueses, angolanos, moçambicanos e cabo-verdianos encontram referências comuns e, muitas vezes, riem precisamente nos mesmos momentos.

Durante a sua estadia em Moçambique, Porchat teve também oportunidade de contactar com actores e comediantes moçambicanos, manifestando interesse em desenvolver, no futuro, intercâmbios semelhantes aos que já aconteceram com artistas angolanos. O humorista mostrou-se entusiasmado com a possibilidade de aproximar criadores dos dois países e criar novas oportunidades de colaboração.

A digressão levou-o depois a Cabo Verde, mas a primeira passagem por Moçambique parece ter deixado vontade de regressar. Mais do que duas apresentações, foi também um primeiro contacto com o público, com artistas locais e com um país que há muito queria conhecer.

E foi precisamente dessa passagem por Moçambique que nasceu espaço para um encontro diferente.

Sem o formato do stand-up e com outras vozes à mesa, Fábio Porchat juntou-se a Mia Couto e Stewart Sukuma para uma conversa onde o humor deixou de ser o único protagonista.