Num tempo em que os desafios tecnológicos e urbanos se tornam cada vez mais presentes no quotidiano das sociedades, Maputo acolheu uma nova plataforma de reflexão orientada para soluções práticas. A primeira edição da Oficina do Futuro realizou-se a 26 de Fevereiro, no Hotel Meliã Maputo Sky, reunindo especialistas, decisores, empreendedores e estudantes em torno de uma pergunta central: como poderá ser Moçambique em 2030 se as ideias começarem hoje a transformar-se em acções concretas?
A iniciativa surgiu com o propósito de aproximar o pensamento estratégico da execução. Na sessão de abertura, Nuno Soares, director da revista Xonguila e do Connoisseur Prestige Club (CPC), entidades responsáveis pela organização do encontro, sublinhou a necessidade de se criarem espaços em que o debate ultrapasse o plano teórico e conduza a soluções aplicáveis à realidade nacional.

Sob o tema “Mobilidade, digital e soluções reais”, o encontro estruturou-se em dois painéis principais, centrados em áreas consideradas determinantes para o futuro do país.

O primeiro debate incidiu sobre o desafio digital de Moçambique. Moderado por Sheila Victor Muianga, da Girl Move Academy, contou com intervenções de Luís Enoque, da BCX, Carlos Jorge Araújo, da Bravantic, e Rui Lousã, da Vodacom. Ao longo da conversa, foram abordadas as oportunidades da tecnologia aplicada à economia e os caminhos possíveis para ampliar a inclusão digital, num contexto em que o acesso à informação e às ferramentas tecnológicas continua a ser desigual.

A primeira edição da Oficina do Futuro reuniu diferentes sectores da sociedade para pensar soluções concretas para desafios que já fazem parte do presente de Moçambique.

O segundo painel dedicou-se à mobilidade urbana, tema cada vez mais central nas cidades moçambicanas. A moderação esteve a cargo de Yurica David, da AIESEC Moçambique. Participaram o Dr. Cedrick Lemarie, da Epsilon Energia Solar, Hermínio Guiamba, da Recavi, e Celso Nicols, da Faculdade de Engenharia da Universidade Eduardo Mondlane. Os intervenientes analisaram constrangimentos existentes no transporte e na organização das cidades, apontando também possíveis soluções que combinem inovação tecnológica, planeamento urbano e sustentabilidade.

Para além dos painéis de discussão, o evento reservou espaço a projectos concretos no segmento “Iniciativas em foco”, onde diferentes actores apresentaram experiências orientadas para impacto social. Entre os exemplos partilhados estiveram a Girafa Solar, apresentada por Ruben Morgado, da Fundação Carlos Morgado, projectos de educação tecnológica explicados por Tim Vieira, da Brave Generation Academy, a plataforma MAKOBO, descrita por Ruy Santos, e a solução digital LEO, apresentada por Cirilo Macanze, do Banco UBA.

A primeira edição da Oficina do Futuro contou com o patrocínio do Banco UBA e da Vodacom, bem como com o apoio do Baía Mall e do Hotel Meliã Maputo Sky. No mesmo contexto foi também lançado o Roteiro de Alfabetização Digital, uma exposição aberta ao público até 4 de Março, pensada para aproximar os temas tecnológicos do cidadão comum.

O projecto prevê continuidade ao longo do ano. Uma segunda edição está prevista para Maio, dedicada à informação, influência e transformação na comunicação contemporânea. Em Outubro deverá realizar-se um terceiro encontro, centrado em educação, recursos humanos e tecnologia.

Com esta abordagem sequencial, a Oficina do Futuro afirma-se como uma plataforma de reflexão aplicada, procurando reunir diferentes sectores da sociedade na construção de respostas para os desafios que Moçambique enfrenta nas próximas décadas.