Nos últimos anos, Moçambique tem sido fortemente fustigado por eventos impactantes na sociedade cuja origem advém de fenómenos tanto de escala global, nomeadamente a pandemia da covid 19, como nacional, com o a crise económica de 2016, e local, sobretudo os ciclones Idai (Beira) e Kenneth (Cabo Delgado). Todos estes fenómenos tiveram um tremendo impacto que culminou com cenários de crise de saúde pública, económica e ambiental, respectivamente, criando contextos de turbulência que alteram profundamente as dinâmicas de oferta e procura de trabalho.
Este artigo analisa o impacto das crises com escala nacional mais relevantes, nomeadamente a económica de 2016 e a de saúde pública provocada pela covid 19, sobre o mercado laboral especificamente no que diz respeito ao volume de vagas publicadas e de candidaturas submetidas.
Importa realçar que os dados aqui apresentados são apenas das vagas de emprego formal divulgadas por recrutadores que usam o emprego.co.mz, um portal publicamente disponível e transparente de recrutamento. Representam, assim, uma amostra que, embora pequena, é fiável, das vagas disponíveis em Moçambique.
A Crise Económica de 2016
• Dados de vagas e candidaturas (2015-2016):
- Em 2015, foram publicadas 2.147 vagas, com 169.066 candidaturas;
- Em 2016, as vagas publicadas caíram para 1.768, tendo as candidaturas aumentado para 285.058.
A queda nas vagas e o aumento nas candidaturas indicam uma maior competitividade no mercado de trabalho. O número de candidatos por vaga subiu drasticamente, em 205%, reflectindo a escassez de oportunidades formais.
A crise económica de 2016, teve um impacto directo na dinâmica laboral. De lá para cá, a recessão causada pela perda de confiança internacional e pela interrupção de muitos financiamentos afectou de forma significativa os sectores produtivos, com grande relevância na geração de emprego, tema deste nosso artigo.
A Crise de Saúde Pública da COVID-19
• Dados de vagas e candidaturas (2019-2020):
- Em 2019, antes da pandemia, foram publicadas 1.681 vagas, com 302.390 candidaturas;
- Em 2020, as vagas publicadas caíram para 1.461, enquanto as candidaturas diminuíram para 237.741.
A pandemia de COVID-19 trouxe uma crise de saúde pública que afectou profundamente a economia e o mercado de trabalho. Com o isolamento social e as restrições, muitos sectores foram paralisados, resultando numa queda nas oportunidades de emprego.
As amostras das tipologias de crise analisadas comprovam a tendência de um impacto negativo a nível da empregabilidade aquando destes eventos, gerando uma dinâmica laboral caracterizada por alta competitividade e escassez de empregos formais.
Independentemente da natureza da crise, há uma tendência de correlação entre o período em que esta decorre e uma degradação da dinâmica laboral. Uma das causas deste cenário é o contexto de incerteza vivido afectar a confiança dos investidores e a criação de novas oportunidades de emprego.
Com efeito, o número de vagas publicadas no emprego.co.mz diminuiu, acompanhado pela redução do volume de candidaturas. Contudo, considerando que a crise alterou a natureza das vagas, aumentando a necessidade de perfis profissionais adaptados à nova realidade criada pela pandemia, podemos considerar relevante o volume de candidaturas.
Plataformas digitais como o emprego.co.mz desempenham um papel fundamental, fornecendo dados cruciais que evidenciam os factos, permitindo, por conseguinte, analisar as causas, e avaliar soluções que possibilitem uma melhor preparação para combater as crises.
