O Governo decidiu atribuir à empresa Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM) a liderança do projecto de criação do novo Terminal Logístico de Dondo, uma estrutura pensada para aliviar a pressão sobre o porto da Beira e melhorar o fluxo de mercadorias nos corredores regionais. A infra-estrutura ocupará, numa fase inicial, uma área de 70 hectares, com possibilidade de expansão à medida que a procura o justificar.
A decisão foi formalizada por meio de uma resolução recentemente aprovada, que autoriza o ajuste directo do projecto aos CFM e determina a constituição de uma equipa negocial responsável pela elaboração da proposta de concessão. A informação foi avançada pela agência Lusa.
Segundo o Ministério dos Transportes e Comunicações, o porto da Beira é uma peça-chave na cadeia logística nacional e regional, servindo países como o Zimbabué, Zâmbia, Maláui e República Democrática do Congo. Contudo, o crescimento da procura tem vindo a provocar congestionamentos significativos nas áreas de armazenamento e nas vias de acesso, afectando negativamente a eficiência e a segurança rodoviária.
É neste contexto que o Executivo entende ser urgente a implementação do novo terminal logístico em Dondo. O objectivo passa por descongestionar o porto, reforçar a capacidade de armazenamento e optimizar a movimentação de cargas.
O projecto seguirá o modelo de parceria público-privada e poderá contar com a participação de entidades como o MPDC (Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo), o Conselho Empresarial de Sofala e o Município de Dondo.
O Governo fundamenta o ajuste directo aos CFM na vasta experiência da empresa na concepção, construção e gestão de infra-estruturas logísticas, bem como na sua robustez técnica e financeira. A concessão abrangerá todas as fases do projecto, desde o planeamento à futura entrega das instalações ao Estado.
O ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, terá agora um prazo de 90 dias, a partir da publicação da resolução, para submeter a proposta de contrato de concessão e o respectivo decreto para aprovação. Esta iniciativa insere-se nos objectivos nacionais de transformar os corredores logísticos em pólos de atracção de investimento e motores de desenvolvimento económico regional.
