A Neuralink, empresa de neuro tecnologia liderada por Elon Musk, está pronta para iniciar, ainda em 2026, a produção em grande escala dos seus implantes cerebrais. O anúncio foi feito pelo próprio Musk na rede social X, onde detalhou os planos para tornar o processo de implantação mais rápido, seguro e amplamente acessível.
Segundo o empresário, a empresa avança também para “um procedimento cirúrgico simplificado, quase totalmente automatizado”, uma etapa considerada crucial para a expansão da tecnologia. Uma das principais inovações prende-se com a forma de inserção dos filamentos: estes passarão a ser introduzidos através da dura-máter – a camada exterior que envolve e protege o cérebro – sem necessidade de remoção, o que representa, nas palavras de Musk, “um avanço significativo”.
A Neuralink tem consolidado os seus progressos desde que, em 2023, obteve a aprovação da Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos para iniciar testes em humanos. Antes disso, os ensaios tinham sido realizados apenas em animais, como ratos, porcos e macacos. A empresa previa começar os testes com humanos em 2022, mas a falta de aprovação da FDA – que chegou a rejeitar os primeiros pedidos – e críticas sobre alegados abusos em testes com animais atrasaram o cronograma.
O primeiro implante em humanos aconteceu em 2024, em Noland Arbaugh, tetraplégico desde um acidente de mergulho. O caso foi amplamente divulgado após Elon Musk confirmar que Arbaugh conseguia controlar um computador apenas com o pensamento.
Desde então, a Neuralink já realizou implantes em mais 11 pessoas com diferentes tipos de paralisia. Entre os nomes conhecidos estão Bradford G. Smith – o primeiro paciente com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) a usar o dispositivo – e Audrey Crews, a primeira mulher a receber o implante.
Mais recentemente, Nick Wray, também diagnosticado com ELA e o oitavo paciente a ser tratado, passou a controlar um braço robótico usando apenas a mente. Com este avanço, Wray consegue realizar tarefas do dia-a-dia como conduzir a sua cadeira de rodas, alimentar-se com maior autonomia ou até colocar um chapéu na cabeça – gestos simples, mas carregados de simbolismo.
Paralelamente, a Neuralink concluiu, no final de 2025, uma ronda de financiamento no valor de 650 milhões de dólares. Este capital permitirá acelerar a produção e desenvolvimento da tecnologia, bem como expandir o acesso a um número mais alargado de pacientes, abrindo caminho a uma nova era na relação entre cérebro humano e tecnologia digital.
