Durante décadas, os recursos saíram de Nampula rumo a outros mercados sob a forma de matéria-prima. Agora, a ambição é diferente: transformar, processar e gerar riqueza dentro da própria província. Foi esta a mensagem central transmitida pelo Ministro da Economia, Basílio Zefanias Muhate, na abertura da VII edição da Feira Económica de Nampula (FENA), um evento que reúne mais de 300 expositores nacionais e estrangeiros e que pretende consolidar a província como um dos principais motores económicos de Moçambique.

Realizada sob o lema “Nampula: Porta Aberta ao Futuro”, a feira surge como muito mais do que um espaço de exposição de produtos e serviços. Para o Governo, representa uma peça estratégica numa agenda nacional orientada para o fortalecimento da produção interna, a industrialização, a expansão dos mercados e o aumento da competitividade da economia moçambicana.

Perante empresários, investidores, representantes institucionais e produtores, Basílio Muhate defendeu que a FENA deve funcionar como uma plataforma de ligação entre oportunidades, investimento e inovação, criando condições para o fortalecimento do sector privado e para uma integração mais eficaz entre a produção e os mercados.

A dimensão alcançada pelo certame confirma essa evolução. Com participantes provenientes dos distritos de Nampula, de diversas províncias do País e de nações parceiras, a feira transformou-se num espaço privilegiado para a criação de contactos empresariais, estabelecimento de parcerias e identificação de novas oportunidades de negócio.

A estratégia apresentada pelo Executivo enquadra-se na Política e Estratégia Comercial de Moçambique 2023–2032, documento que prevê o aumento da produção nacional, a diversificação da oferta de bens e serviços, o reforço das exportações e a promoção do investimento. A iniciativa está igualmente alinhada com o Programa Nacional de Industrialização (PRONAI) e com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento.

No centro desta visão está um objectivo claro: assegurar que uma parcela cada vez maior da riqueza gerada pelos recursos agrícolas, minerais, energéticos e turísticos seja transformada e aproveitada dentro da própria província.

Para Nampula, isso significa criar condições para que os produtos deixem de ser exportados maioritariamente em estado bruto e passem a alimentar actividades de processamento, embalagem, conservação, armazenamento, transporte e comercialização local. A transformação dos recursos passa, assim, a ser vista como uma condição fundamental para aumentar o valor acrescentado da economia provincial.

Foi precisamente nesse contexto que o Ministro da Economia apelou ao desenvolvimento de cadeias de valor distribuídas pelos diferentes distritos. A proposta passa pela criação de pequenas unidades industriais e iniciativas de transformação ajustadas às características produtivas de cada região.

Nas zonas agrícolas, a prioridade deverá incidir sobre o processamento e a conservação da produção. Nas áreas com recursos específicos, o desafio será criar actividades económicas ligadas à transformação, logística e integração desses produtos em mercados de maior dimensão.

Segundo a visão apresentada, esta abordagem permitirá que uma fatia mais significativa da riqueza permaneça nas comunidades, criando novas oportunidades para pequenos produtores, cooperativas, micro, pequenas e médias empresas, bem como para jovens empreendedores e mulheres empresárias.

Mas a transformação económica exige igualmente uma mudança de comportamento do mercado. O reforço do consumo de produtos locais foi apontado como um elemento essencial para garantir escala produtiva, fortalecer empresas e atrair novos investimentos para sectores de transformação.

Basílio Muhate destacou ainda os factores que colocam Nampula numa posição privilegiada para assumir um papel de liderança económica no País. Entre eles figuram a juventude da população, a capacidade empreendedora dos seus habitantes, a diversidade dos recursos disponíveis e uma localização geográfica considerada estratégica.

A importância dos corredores logísticos e do Porto de Nacala foi igualmente sublinhada como uma das maiores vantagens competitivas da província. Estas infra-estruturas permitem uma ligação mais eficiente aos mercados nacionais, regionais e internacionais, criando oportunidades para sectores como a agricultura comercial, o agro-processamento, a indústria, o comércio, a logística e as exportações.

Contudo, o governante advertiu que os recursos naturais e as infra-estruturas, por si só, não garantem desenvolvimento económico sustentável. A concretização deste potencial dependerá da capacidade de atrair investimento, qualificar mão-de-obra, ampliar o acesso ao financiamento e criar um ambiente empresarial capaz de responder às exigências dos mercados modernos.

É precisamente neste contexto que a FENA assume um papel relevante. Ao reunir empresários, investidores, instituições financeiras, entidades públicas e empreendedores num mesmo espaço, a feira procura reduzir a distância entre projectos e oportunidades reais de negócio.

O lema desta edição procura reflectir essa ambição. “Nampula: Porta Aberta ao Futuro” apresenta uma província que pretende afirmar-se como destino de investimento, centro de inovação e plataforma de cooperação económica.

Mais do que uma montra das potencialidades locais, a FENA pretende transformar contactos em parcerias, ideias em investimentos e recursos em produtos com maior valor acrescentado. O verdadeiro impacto do evento será medido pela sua capacidade de gerar negócios, criar emprego e converter o potencial económico da província em rendimento e prosperidade para as famílias.