O Museu de Patologia do Hospital Central de Maputo é um exemplo vivo da relação intrínseca entre arte e ciência, particularmente no estudo de patologias. Ele perpetua um rico espólio de artefactos e conhecimento de patologias em Moçambique e eterniza esse conhecimento através da arte. 


O museu foi criado pelo professor Manuel Dâmaso Prates, um patologista português que também fundou o Laboratório de Anatomia Patológica do Hospital Miguel Bombarda, em Lourenço Marques (hoje cidade de Maputo), a 21 de Abril de 1944. Dedicado, observador e bastante organizado, Prates pretendia perpetuar as formas bizarras das patologias que os seus diversos pacientes apresentavam. Recorrendo à habilidade de dois taxidermistas do então Museu Álvaro de Castro (hoje Museu de História Natural), Mussolini Fajardo e A. Peão Lopes, que faziam moldes em gesso, foram produzidas peças únicas que ainda hoje são a grande riqueza do museu. Com a morte de Dâmaso Prates, em 1965, o professor Fernando Oliveira Torres, também português e que havia chegado a Moçambique em 1958, assumiu a responsabilidade de dar continuidade ao trabalho até então realizado. Era acompanhado pelo professor Carlos Eduardo Mayor Gonzalez, um jovem médico naquele tempo que, mais tarde, se tornou o primeiro patologista moçambicano.

O Museu de Patologia perpetua um rico espólio de artefactos e conhecimento de patologias em Moçambique 

Um dos enormes atributos do Museu da Patologia é a valorização do trabalho pioneiro do professor Prates na representação do linfoma maligno da criança africana, que em 1960 ficou conhecido como “Burkitt lymphoma” ou “linfoma de Burkitt”. Na verdade, o próprio Burkitt ficou impressionado com as réplicas quando visitou o Laboratório de Anatomia Patológica do Hospital Miguel Bombarda. Devido a tão meticuloso trabalho, alguns pesquisadores mundiais denominam mesmo esta patologia como “tumor de Prates”. Em 2008, por concessão do Ministério da Saúde, as peças do museu foram restauradas pelo Museu Nacional de Arte de Moçambique, em colaboração com a Escola Nacional de Artes Visuais. A parceria entre estas instituições e o Departamento de Patologia do Hospital Central de Maputo resultou numa exposição denominada “A arte ao serviço da ciência”, que decorreu no Museu Nacional de Arte, em Maio daquele ano.

Caso pretenda visitar o museu, por favor contacte previamente a direcção do Hospital Central de Maputo, pois a admissão funciona somente por marcação.