Sete anos após a última contagem nacional, Moçambique volta a lançar os olhos ao céu — e ao solo — para realizar um novo Censo Aéreo de Elefantes e Grandes Mamíferos. A iniciativa, anunciada para arrancar ainda este mês e com conclusão prevista até Dezembro, surge num momento crítico para a conservação da biodiversidade, após uma década marcada por uma redução de 13% na população de elefantes, devido sobretudo à caça furtiva.
O levantamento, que segundo os planos deveria ocorrer a cada cinco anos, sofreu sucessivos adiamentos por falta de financiamento. “Em princípio, devia ser de cinco em cinco anos, mas temos tido falta de recurso para a sua efectivação. Creio que, assim que arrancarmos, vamos cumprir com o nosso plano”, afirmou Severiano Khoy, director-geral adjunto da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), durante um seminário em Maputo.
O último Censo, realizado em 2014, indicava a presença de 10.496 elefantes. Quatro anos depois, os dados apontavam para uma descida preocupante: 9.122 indivíduos, consequência directa da pressão humana sobre o habitat e das redes de caça ilegal que operam nas zonas mais remotas do país.
Samiro Magane, coordenador do Programa de Conservação da Biodiversidade na Fundação para a Conservação da Biodiversidade (Biofund), chamou a atenção para a situação crítica da Reserva do Niassa, apontando-a como “uma das que mais sofreu porque tinha o maior potencial em termos de população de elefantes”.
O novo Censo conta com apoio internacional, sendo o financiamento sueco considerado vital para viabilizar a operação. O exercício exige um aparato logístico exigente, com recurso a avionetas e equipas especializadas. “É um trabalho caro”, admitiu Magane, sublinhando o impacto que os dados terão não só na definição de políticas de conservação, mas também no posicionamento de Moçambique no turismo de natureza e no desenvolvimento sustentável.
