O Governo moçambicano inaugurou, esta semana, a primeira unidade de processamento de grafite do país, situada no distrito de Nipepe, província de Niassa. Avaliada em cerca de 200 milhões de dólares norte-americanos, a fábrica da DH Grafite projecta Moçambique para o mapa global como produtor e transformador de grafite com valor acrescentado.

Durante a cerimónia de inauguração, o Presidente da República, Daniel Chapo, destacou que se trata de “uma das melhores e maiores fábricas de grafite do mundo”. O Chefe de Estado sublinhou que o empreendimento reflecte “uma visão orientada para a transformação dos recursos naturais em desenvolvimento económico, social, ambiental e humano”.

O projecto, uma iniciativa da empresa DH Grafite em parceria com investidores chineses, inscreve-se num novo paradigma de industrialização que procura reduzir a dependência da exportação de matérias-primas brutas. “É um verdadeiro acto de afirmação nacional e da soberania económica de Moçambique”, declarou Chapo.

A instalação industrial foi implantada no povoado de Muichi e integra todas as fases da cadeia de valor: prospecção, extracção, processamento e comercialização do grafite. A sua proximidade às jazidas do minério contribui para a redução dos custos logísticos, tornando o produto mais competitivo tanto nos mercados nacionais como internacionais.

A fábrica entra em funcionamento num momento em que o sul do país enfrenta cheias e inundações, fenómeno que, segundo o Presidente, “não compromete a agenda de desenvolvimento”. Na mesma ocasião, Chapo anunciou a reabertura da circulação na Estrada Nacional Número 1, no troço 3 de Fevereiro–Incoloane, cortado recentemente devido ao galgamento das águas.

O investimento compreende ainda infra-estruturas com impacto regional: a ponte sobre o rio Lúrio, uma estrada de cerca de 110 quilómetros que liga Nipepe à província de Nampula, e uma linha eléctrica de aproximadamente 100 quilómetros, reforçando a mobilidade, o acesso à energia e a integração económica do território.

No plano social, a fábrica emprega actualmente cerca de mil trabalhadores efectivos e mais de 200 temporários. O projecto foi acompanhado por um processo de reassentamento que incluiu a construção de 125 habitações, uma escola, um hospital, uma esquadra policial e uma nova zona residencial moderna — assegurando que o desenvolvimento industrial tenha um reflexo directo no bem-estar das comunidades locais.

Ao encerrar a cerimónia, o Presidente da República apelou a um maior envolvimento do sector privado, nacional e estrangeiro, na industrialização de Moçambique, e declarou oficialmente inaugurada a Fábrica de Processamento de Grafite de Nipepe.