Verónica Macamo, a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, sublinhou a promissora jornada de desarmamento no país, alinhada com o objectivo continental de pacificar as armas em África até 2030. Ela reiterou a necessidade vital de um diálogo sincero e vontade política das lideranças, apoiada por um esforço conjunto da sociedade para alcançar a paz e reconciliação nacional, destacando a trajectória de Moçambique como um valioso modelo nesta frente.

Na sessão inaugural do "Mês da Amnistia em África", promovido pela União Africana, Macamo salientou a oportunidade crucial que esta iniciativa representa para promover o desarmamento no continente. Este ano, o encontro acontece em Maputo, onde os participantes analisam e discutem as lições adquiridas com a experiência de Moçambique na materialização desta iniciativa, lançada em 2017.

Moçambique concluiu, em Junho último, o processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), o principal partido da oposição. Esta operação, que começou em 2018, englobou 5.221 ex-guerrilheiros da Renamo, incluindo 257 mulheres. A fase foi marcada pelo encerramento da base de Vunduzi, o último reduto da Renamo situado no distrito de Gorongosa, província central de Sofala.

Durante a sua intervenção, a governante reflectiu sobre a responsabilidade acrescida que vem com os avanços alcançados até agora, sublinhando a necessidade de se continuar a trabalhar em prol do país e do continente como um todo. Destacou também a importância de se aprender com as experiências de outras nações para aprimorar os esforços de Moçambique nesta direcção.

Macamo reconheceu que a realização do DDR é um marco significativo nos esforços colectivos para uma paz duradoura, estabilidade e reconciliação entre os moçambicanos. No entanto, ela sublinhou que o governo continua focado na recolha de todas as categorias de armas, considerando que o uso indevido destas pode representar uma ameaça potencial para a paz e segurança no país. A ministra louvou o papel vital desempenhado pela sociedade civil, confissões religiosas e lideranças locais no processo de entrega voluntária de armas.

A ministra dos Negócios Estrangeiros destacou a crescente disseminação de armas ilícitas como um factor que alimenta a persistência de conflitos armados e violência não só em África, mas em todo o mundo, tendo repercussões humanitárias sérias e prejudicando a realização dos objectivos definidos na iniciativa de pacificar as armas em África até 2030.

Macamo sublinhou também a honra que representa para Moçambique ser o anfitrião da cerimónia organizada pelo Conselho da Paz e Segurança da União Africana, uma ocasião que serve para aprofundar a reflexão sobre a contribuição do país para a visão continental de um futuro africano pacífico para as gerações actuais e vindouras.

Na recente história de Moçambique, houve períodos significativos de conflitos armados, incluindo uma guerra de 16 anos e tensões político-militares que terminaram recentemente. O processo de eliminação de armas ilícitas iniciou-se em 1992, com a assinatura do Acordo Geral de Paz entre o governo e a Renamo, sob a supervisão da Missão das Nações Unidas no país.

Moçambique, membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, reitera o seu compromisso de continuar a colaborar com os esforços da União Africana para alcançar o objectivo de silenciar as armas em África até 2030.