Moçambique dispõe actualmente de reservas de combustíveis suficientes para assegurar o funcionamento regular da economia nacional até ao início de Maio, numa altura em que o agravamento do conflito no Médio Oriente reacende receios sobre perturbações no abastecimento energético mundial.
A garantia foi avançada em Maputo pelo secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, no final de uma sessão do Conselho de Ministros dedicada à análise dos possíveis impactos económicos da instabilidade geopolítica que atravessa aquela região.
Segundo o governante, o país possui cerca de 75 mil toneladas de combustíveis líquidos, quantidade considerada suficiente para garantir o abastecimento do mercado interno durante os próximos meses.
Amílcar Tivane explicou que o processo de importação é realizado com antecedência e envolve uma coordenação estreita entre associações de importadores e empresas distribuidoras. Esse modelo de gestão tem permitido assegurar níveis de stock considerados adequados para responder às necessidades do consumo nacional.
Dependência do Estreito de Ormuz preocupa Governo
Apesar da relativa estabilidade no curto prazo, o Executivo reconhece que a evolução do conflito no Médio Oriente pode vir a influenciar o abastecimento energético do país.
De acordo com o responsável, cerca de 80% das importações de combustíveis de Moçambique transitam por rotas associadas ao Estreito de Ormuz, um dos corredores marítimos mais estratégicos do comércio petrolífero mundial.
Qualquer interrupção naquela rota poderá comprometer o fluxo de produtos petrolíferos provenientes do Médio Oriente, região que continua a desempenhar um papel central no fornecimento de energia a vários países africanos.
Perante esse cenário, o Governo afirma estar a acompanhar atentamente o evoluir da situação internacional, ao mesmo tempo que analisa possíveis alternativas logísticas para assegurar o abastecimento caso a crise se intensifique.
Preços deverão manter-se estáveis até Abril
No plano interno, as autoridades indicam que os preços dos combustíveis deverão manter-se estáveis até ao final de Abril.
Segundo explicou Amílcar Tivane, os combustíveis actualmente disponíveis no país foram importados antes da recente escalada do conflito, o que permite preservar os níveis de preços actualmente praticados no mercado.
Neste momento, a gasolina é vendida por cerca de 85 meticais por litro, enquanto o gasóleo ronda os 80 meticais por litro.
Ainda assim, o Governo admite que uma subida prolongada dos preços internacionais do petróleo poderá vir a repercutir-se no mercado doméstico.
Cenários económicos dependem da evolução do petróleo
O Executivo moçambicano está igualmente a trabalhar com diferentes cenários económicos, tendo em conta a possível evolução do preço do petróleo nos mercados internacionais.
Num cenário moderado, em que o barril ultrapasse os 120 dólares, os impactos deverão reflectir-se sobretudo na estrutura de custos das micro, pequenas e médias empresas, especialmente em sectores fortemente dependentes de transporte e energia.
Num cenário mais severo, com o barril a aproximar-se dos 140 dólares, o governante admitiu que a economia moçambicana poderá enfrentar uma conjuntura mais adversa, podendo inclusive registar crescimento económico negativo.
Neste contexto, o Governo considera que a intensidade e a duração do conflito no Médio Oriente serão factores decisivos para determinar a dimensão dos efeitos económicos.
Governo pondera fundo de estabilização
Face à incerteza internacional, o Executivo está a estudar mecanismos que permitam amortecer eventuais choques no mercado interno.
Entre as medidas em análise encontra-se a possível activação de um fundo de estabilização, instrumento destinado a compensar eventuais perdas de rentabilidade das empresas distribuidoras e evitar aumentos bruscos nos preços dos combustíveis.
Segundo o Governo, esse mecanismo poderá desempenhar um papel relevante na protecção de sectores particularmente sensíveis da economia, como os transportes, o comércio e a produção industrial.
Ainda assim, as autoridades sublinham que todas as projecções permanecem condicionadas à evolução da situação geopolítica no Médio Oriente, cujo impacto nos mercados energéticos globais continua a ser acompanhado de perto pelo Executivo.
