Moçambique estabeleceu uma visão ambiciosa para se tornar um dos líderes na produção de hidrogénio na África Austral até 2030, integrando esta meta na sua Estratégia de Transição Energética (ETS). Com um plano que prevê investimentos na ordem dos 80 mil milhões de dólares até 2050, o país almeja explorar o seu vasto potencial em recursos naturais para desenvolver uma indústria de hidrogénio robusta, focando especialmente na produção de hidrogénio verde.

A riqueza de Moçambique em recursos como energia hidroeléctrica, gás natural, solar e eólica posiciona o país de forma única para apoiar a produção sustentável de hidrogénio, potenciando não apenas a satisfação das necessidades internas mas também visando a competitividade nos mercados internacionais. O custo relativamente baixo de acesso a estas fontes de energia pode ser um diferencial chave para assegurar a viabilidade e o sucesso desta aposta estratégica.

Dentro da estratégia delineada, o Governo moçambicano propõe-se a elaborar, já no decorrer deste ano, um plano de desenvolvimento abrangente para o sector. Este plano deverá ser fundamentado numa análise detalhada que permitirá definir a escala de produção desejada e identificar os mercados alvo primários, tendo em conta que se espera que a maior parte do hidrogénio produzido seja destinada à exportação.

Este movimento em direcção ao hidrogénio não só sublinha o compromisso de Moçambique com a transição energética e a sustentabilidade ambiental, como também antecipa a criação de novas oportunidades económicas e de emprego, contribuindo para o fortalecimento da posição do país no panorama energético regional e global.

A “estratégia do hidrogénio” de Moçambique representa, assim, um passo audacioso e estratégico rumo à inovação e à liderança na produção de energias limpas, alinhado com as tendências globais de redução da dependência dos combustíveis fósseis e de combate às alterações climáticas.