A cidade de Maputo tornou-se, uma vez mais, um epicentro de celebração da cultura moçambicana com a exposição “Entre Cores e Formas: Pluralidade de Vozes”, inaugurada no dia 17 de Outubro no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM). Composta por catorze obras de onze artistas plásticos de Moçambique, esta exposição representa um encontro visual de diferentes épocas e estilos, retiradas do acervo de arte do Millennium bim, uma colecção raramente apresentada ao público.
Curada por Jorge Dias, a exposição traz à luz obras criadas em momentos-chave da história do país, particularmente nas décadas de 60 e 70, período marcado pela transição da estética modernista europeia para a afirmação da identidade africana. As obras expostas testemunham essa época, em que os artistas exploravam a sua visão estética individual e a consciência colectiva de identidade e libertação.
Nestes 29 anos da sua história, o Millennium bim tem investido fortemente na promoção da cultura nacional. Esta exposição surge na sequência do protocolo assinado em Julho deste ano, entre o Millennium bim e o Centro Cultural Franco Moçambicano (CCFM), que reforça a parceria estratégica para a promoção de iniciativas culturais em Moçambique, com a criação de um espaço de valorização da arte moçambicana, através de exposições e eventos acessíveis a todas as comunidades, consolidando assim o apoio contínuo às artes plásticas e a cultura moçambicana.
Entre os artistas representados, destacam-se Malangatana, Bertina Lopes, Estêvão Mucavele, Naguib, Shikani, entre outros, cujas criações têm sido amplamente elogiadas tanto no território nacional como no estrangeiro. Malangatana, com as suas cores intensas e formas dinâmicas, expressava as lutas sociais e políticas do seu tempo, captando a essência do sofrimento e da resistência moçambicana. Bertina Lopes desafiou normas ao integrar o surrealismo e abstraccionismo, criando uma ponte entre culturas. Estêvão Mucavele explorou a espiritualidade africana, enquanto Shikani unia o tradicional ao contemporâneo numa síntese única entre culturas africana e europeia.
Com esta exposição, o Millennium bim oferece ao público a oportunidade de apreciar o valor estético das criações, ao mesmo tempo que homenageia os artistas que contribuíram para a formação da identidade cultural moçambicana. O público tem ainda a oportunidade de desfrutar de criações de nomes consagrados ainda em vida, como Naguib, que marcou presença no evento.
As obras expostas carregam narrativas sobre colonialismo, resistência e independência. O compromisso da instituição bancária com este legado reflecte-se na exibição das obras e na preservação da cultura nacional para as futuras gerações, uma missão impulsionada por figuras como Mário Machungo, antigo presidente da instituição.
Jorge Dias escolheu cuidadosamente as obras para criar um diálogo entre o passado e o presente, destacando a relevância das questões levantadas há décadas que ainda ecoam na sociedade actual. Além do valor histórico e cultural, a exposição reflecte como a arte pode servir como meio de coesão social, ligando gerações e comunidades através de uma linguagem universal de cores e formas.
Aberta ao público até o dia 9 de Novembro, a exposição marca o início de um projecto contínuo que visa fomentar o conhecimento e apreciação das artes plásticas em Moçambique, e insere-se no Programa de Responsabilidade Social, "Mais Moçambique pra Mim”, mais concretamente no pilar da cultura, que tem como missão promover iniciativas culturais que contribuam para a preservação e o fortalecimento da identidade moçambicana.
O Millennium bim desempenha assim um papel essencial na preservação cultural, estabelecendo pontes entre o passado e as futuras gerações de artistas e amantes da arte moçambicana.
