Caiu o pano da 18ª Edição da Semana da Moda em Moçambique (a Mozambique Fashion Week – MFW). Durante sete dias, o evento organizado pela agência DDB desde 2005 reuniu cerca de 150 estilistas, entre nacionais e estrangeiros, de young designers aos mais conceituados, que mostraram a Moçambique e ao mundo o seu talento e a beleza da moda, naquela que é considerada a maior plataforma de moda nacional.
A cidade de Maputo voltou a ser a capital moçambicana da moda com a realização da presente edição do Mozambique Fashion Week (MFW), que, este ano sob o tema My World, explorou o metaverso (ambiente de realidade virtual) e as possibilidades que os avanços tecnológicos podem trazer para o universo da moda. O evento decorreu de 5 a 11 de Dezembro, em diferentes espaços da cidade de Maputo, e reuniu vários intervenientes da indústria do sector. Uma vez mais, o MFW reforçou o seu compromisso para com a descoberta, incentivo, capacitação e promoção da moda moçambicana. Os já tradicionais workshops e MFW Talks (espaços de debate), com temas relevantes para o crescimento da indústria da moda moçambicana, marcaram a Semana, cuja linha de orientação foi tecnologia e sustentabilidade.
Cerca de uma centena e maia de estilistas apresentaram as suas novas colecções ao vasto público, que aderiu em massa a todas as sessões deste primeiro evento do período pós-pandemia. Aliás, a própria realização do MFW em formato presencial e sem restrições é um sinal de regresso à normalidade, se bem que normalidade seja um substantivo que, definitivamente, não serve para qualificar todos os que mostraram o seu valor e o porquê de o MFW ser considerado um dos maiores eventos de moda do continente africano.
Sem desprimor para os muitos desfiles que tiveram lugar nos primeiros dias do evento, gostaríamos de aqui destacar o estilista Doutor dos Tecidos, que desfilou a sua classe ao terceiro dia, apresentando um conjunto de peças pró-ambientais. Tratou-se de roupas formais e informais para homens e mulheres, confeccionadas com farrapos e outros materiais descartáveis, como plástico e resíduos de coco, levando o público a reflectir seriamente sobre reaproveitamento, preservação e sustentabilidade do meio. Doutor dos Tecidos brilhou, tal como os que o antecederam e sucederam compartilhando a passarela, usada igualmente para causas humanas e sociais.
Fora de moda!
Com a moda também se combatem os males sociais. Esta é a mensagem que a organização do MFW quis (e conseguiu) transmitir à sociedade moçambicana. Há males que devem sair definitivamente de moda, como o preconceito, uniões prematuras e a consequente gravidez precoce. Uma das maiores atracções na 18ª edição do MFW foi o desfile Os Invisíveis, iniciativa da Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) e da Plataforma Makobo, que teve lugar no quinto dia. As peças foram produzidas por uma costureira profissional, apoiada por talentosas mãos de uma catadora de lixo da lixeira do Hulene, em Maputo, cujo sonho é um dia ser também costureira. Os modelos eram, todos eles, jovens que vivem em situação de exclusão social. Pretendia-se com o desfile, por um lado, chamar a atenção para as pessoas em situação de exclusão social (“os invisíveis” da sociedade) e, por outro lado, conseguir apoios para a Plataforma Kaya, um projecto social que visa reinserir este grupo no mercado de trabalho. No mesmo dia o público aplaudiu, entre outras, as reconhecidas marcas Nivaldo Thierry e Nuno Jota Jota, tendo a noite fechado em grande estilo com actuações musicais de Kamané, Jay Arghh e Stefânia Leonel.
Já no penúltimo dia da Semana da Moda, a Plan Moçambique, uma organização que promove os direitos da criança e a igualdade, levou ao público um desfile performativo envolvendo raparigas com idades entre os 10 e os 16 anos. Nele se viram crianças em várias situações (casadas e mães prematuramente) contrárias aos seus sonhos de se formar e ter uma carreira profissional próspera. Segundo a DDB, com a iniciativa pretendia-se, através da moda, consciencializar a sociedade para a necessidade de se combaterem as uniões prematuras e a gravidez precoce, que aniquilam o sonho de muitas raparigas. Mais de 20 estilistas deram cor e brilho ao sexto dia da celebração da moda moçambicana, que teve na assistência várias personalidades, com destaque para Gianni Bardini, Embaixador da Itália em Moçambique, Paolo Gozzoli, Director da Agência ICE Maputo, Vasco Rocha, Director Geral da DDB, António Franceschini, responsável nacional da CNA Federmoda e Roberto Corbelli, pesquisador e especialista em tendências.
Moda e muita conversa à mistura
Com toda a justiça, os desfiles, os estilistas e, naturalmente, os modelos, cativaram todas as atenções no maior evento de moda do país. A Semana foi também permeada de debates, denominados MFW Talks, que tinham por objectivo estimular o desenvolvimento da moda moçambicana. Foram recorrentes temas sobre Educação Financeira, Liderança e Empreendedorismo Feminino. Em paralelo com os desfiles e os debates, teve ainda lugar, ao longo dos sete dias, uma feira relacionando a arte com a moda, que contou com mais de 20 feirantes.
A semana encerrou num domingo, com mais desfiles e mais emoção. A organização mostrou-se feliz com o resultado conseguido na presente edição do MFW, que se espera vir a ser cada vez mais surpreendente, e maior do que já é. O Director Geral da DDB, Vasco Rocha, agradeceu a todos os que tornaram possível a realização do evento, desde a produção, os estilistas, parceiros e patrocinadores, bem como ao público, que acompanhou os desfiles, desde o primeiro dia até ao cair do pano, sempre com emoção, energia e entusiasmo. Vasco Rocha disse que o MFW é uma iniciativa que enaltece as artes nacionais, promovendo a criatividade e o intercâmbio cultural através de encontros entre os principais intervenientes na indústria da moda. “Esta edição do MFW, a 18ª, é mais um passo de uma caminhada que começou há 18 anos, altura em que ninguém esperava que ela fosse chegar tão longe”, afirmou, destacando que “o grande objectivo da Semana da Moda é fazer da moda uma verdadeira indústria ao nível nacional”. O MFM 2022 reuniu cerca de 150 estilistas nacionais e estilistas vindos da África do Sul, Angola, Itália e Japão.
