A dança do ventre é uma famosa dança praticada em diversas regiões do Oriente Médio e da Ásia Meridional.  É comum atribuir-se a sua origem ao Egipto antigo, entre 7000 e 5000 a.C., onde era vista como uma espécie de ritual de fertilidade que agradaria os deuses e como técnica para preparar as mulheres para se tornarem mães, e especialmente para o parto. Era uma cerimónia sagrada, só para mulheres, assemelhando-se, em certa medida, aos ritos de iniciação em Moçambique. As mulheres uniam-se e ensinavam umas às outras movimentos do corpo que ajudavam no processo de descoberta e conhecimento do seu poder feminino. Com a invasão dos árabes, a dança foi-se espalhando pelo mundo, e, devido aos seus segredos de empoderamento feminino, chegou a ser banida e reduzida a uma dança para sedução do homem.

Lora Baúle sempre gostou de dançar, sempre quis poder fazer parte da Escola Nacional de Dança, mas como o sonho de sua mãe era que ela e a irmã tivessem formação musical, entrou para a Escola Nacional de Música. A sua especialidade era bateria, até formar uma banda e tornar-se também a dançarina da banda. Daí em diante, focou-se no que era realmente a sua paixão.

Lora Baúle considera que a magia da sua técnica está no dançar os pequenos detalhes de cada música 

Aperfeiçoar continuamente a sua dança é o que Lora procura. O processo criativo começa na música, nos sons de cada instrumento e no que a música em si desperta. Considera que a magia da sua técnica está no dançar os pequenos detalhes de cada música. Ao preparar cada número visualiza o que poderá despertar surpresa em quem assiste e, em frente a um espelho, põe em prática o que visualizou, para ver se consegue expressar e dançar o que idealizou. A inspiração vem-lhe frequentemente de músicas que escuta pela primeira vez, de vídeos criativos dos seus ídolos ou outros bailarinos, e do seu humor. Para Lora a dança é uma forma de expressão de si própria, razão pela qual se baseia principalmente em como se sente em determinadas fases da sua vida e nos sentimentos que quer transmitir. 


Foram diversos os eventos em que Lora Baúle já participou, mas o que mais a marcou foi a primeira vez que subiu ao palco. Nos ensaios e com o aproximar dos espectáculos, é grande a ansiedade, o nervosismo, o medo de errar ou de não conseguir cativar o público, pois é sempre uma incógnita o que este irá achar: “Quando estás no palco, é necessário um enorme exercício para relaxar e ter controlo, tentar chamar atenção e interagir com o público, fazer o preenchimento do palco ou do espaço que tens para actuar, controlar o nervosismo e cumprir o reportório. Quando finalmente o teu número acaba, vem a melhor parte, os aplausos, a cara de alegria e orgulho de quem assistiu e gostou do teu trabalho, e a sensação de gratificação por teres enfrentado o medo e nervosismo. Mesmo depois de anos e anos, eu passo sempre por este processo. O pós-show é a melhor parte.”

Para os próximos tempos, os objectivos de Lora passam por elevar o estatuto da dança do ventre a ponto de ela ser vista como arte em Moçambique, uma dança bonita para ser apresentada em eventos culturais e artísticos, não sendo conotada apenas como dança de sedução reduzida a quatro paredes. No que toca a aulas, o plano é, através da dança, ajudar as mulheres a sentirem-se bem e felizes com os seus próprios corpos, a conhecerem-se melhor, a elevar a sua auto-estima, a empoderarem-se.

Para acompanhar o trabalho de Lora Baúle, ficando a par das suas aulas e espectáculos, consulte as suas páginas do Instagram, Facebook e Tiktok @dancing_with_dream.