Em Ribáué, a mais de 140 quilómetros da cidade de Nampula, no norte de Moçambique, um jovem de 21 anos decidiu não se render à escuridão. Face aos constantes cortes de energia que o impediam de estudar à noite, Faife da Costa, aluno da 11.ª classe da Escola Secundária de Ribáué, encontrou na ciência uma saída luminosa.

“Os cortes de energia aconteciam quase todas as noites, e isso dificultava rever a matéria ou fazer os trabalhos de casa. Foi aí que pensei por que não usar aquilo que aprendo na escola para resolver um problema real”, contou, entre um sorriso tímido, à agência Lusa.

Com fios de cobre, alumínio, limão e cebola, o jovem construiu uma pilha eletroquímica caseira. A reacção entre o ácido cítrico e os compostos da cebola produz uma voltagem suficiente para acender uma lâmpada LED — luz que, embora modesta, tem sido o suficiente para iluminar o seu quarto e manter os estudos em dia.

“Por enquanto a minha invenção serve apenas para iluminar a casa. Mas sonho em aperfeiçoar o sistema para que possa também alimentar pequenos aparelhos elétricos, como rádios e carregadores de telemóvel”, afirmou.

O espírito inventivo de Faife vai além do seu quarto. Ele ambiciona levar a sua solução a outras zonas sem energia, especialmente nas regiões mais isoladas da província. “Há muitos lugares que vivem na escuridão. Gostava que a minha ideia ajudasse essas pessoas a terem luz e a melhorarem as suas condições de vida.”

Apesar da motivação, as limitações financeiras e a falta de apoio técnico são entraves reais. “Se tivesse apoio, poderia testar novos materiais, melhorar o sistema e até criar um protótipo mais resistente e duradouro”, disse. Ainda assim, não perde o ânimo: “Quero mostrar que não é preciso muito para mudar alguma coisa. Às vezes, basta acreditar, tentar e não desistir”.

Energia para todos até 2030

O sonho de Faife alinha-se com os esforços do Governo moçambicano, que anunciou ter assegurado 434.289 novas ligações à rede elétrica em 2025, no quadro do Programa Energia para Todos. Segundo o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, isso representa 72,4% da meta anual.

“Com a implementação do programa, a taxa de ligação é agora de mais de 500 mil. Antes, o número de ligações anuais era inferior a 150 mil”, explicou o governante, sublinhando que a meta é atingir uma cobertura de 100% até 2030.

O Executivo pretende, ainda este ano, conectar mais 600 mil casas, superando as 563 mil ligações realizadas em 2024. A aposta está lançada — tanto nas grandes infraestruturas como nas pequenas ideias que, como a de Faife, acendem luzes onde antes havia apenas escuridão.