Numa iniciativa pioneira em Moçambique, um aparelho de raio-X portátil aliado a uma aplicação de Inteligência Artificial (IA) tem sido fundamental na detecção de casos de tuberculose nas penitenciárias do país. Esta inovação tecnológica, já implementada nas cadeias de Maputo, revelou-se uma ferramenta crucial na luta contra a doença, com 66 casos identificados entre os reclusos.

Cremilde Anli, médica e directora nacional do Serviço dos Cuidados Sanitários do Serviço Nacional Penitenciário, realça a importância do equipamento. Não só elimina a necessidade de deslocar os reclusos para exames externos, como também permite obter resultados em tempo recorde. Esta eficácia é crucial, dado que a presença de um único recluso infectado pode representar um risco elevado de contágio em espaços com alta densidade populacional, como é o caso das penitenciárias.

O projecto, financiado pela iniciativa Stop TB Partnership com o apoio das Nações Unidas, é uma colaboração entre várias entidades, incluindo a organização internacional Health trough Walls. A aplicação desta tecnologia inovadora nas três penitenciárias de Maputo já resultou em mais de 4.500 testes, com a identificação de 66 casos de tuberculose desde Julho.

Miranda Brouwer, médica neerlandesa responsável pela monitorização do projecto, destaca as vantagens deste sistema, sobretudo num país onde os radiologistas são escassos. A capacidade de análise rápida e precisa da IA facilita significativamente o processo de diagnóstico e tratamento.

Esta abordagem inovadora é particularmente relevante na Penitenciária Provincial de Maputo, a maior do país, que actualmente alberga um número de reclusos significativamente superior à sua capacidade. O desafio é imenso, mas a esperança reside na eficácia do rastreamento e tratamento precoce da tuberculose, uma doença que continua a ser um problema de saúde pública em ambientes prisionais.

O projecto não se limita apenas ao diagnóstico. Os reclusos que testam positivo são submetidos a um tratamento intensivo e, posteriormente, a uma fase de "manutenção" do estado. A luta contra a tuberculose multirresistente é outro desafio que o sector enfrenta, exigindo medidas adicionais de prevenção e controle.

Este esforço conjunto reflecte a abertura do serviço prisional moçambicano à mudança e inovação, com a expectativa de que a iniciativa se expanda para outras penitenciárias no país. O exemplo de Moçambique, agora alinhado com projectos similares em outras nações, demonstra um compromisso significativo com a saúde pública e a defesa dos direitos humanos no sistema penitenciário.