Hloyase

Escrito Por: Nuno Soares

A Fundação Malangatana, em parceria com o Mozambique Fashion Week (MFW), lançou oficialmente, no passado dia 3 de Fevereiro, Dia dos Heróis Moçambicanos, a Hloyase, uma marca de roupa inspirada nas pinturas do conceituado artista Malangatana Valente Ngwenya. A iniciativa, que de uma homenagem se trata, surge no ano em que este ícone da cultura moçambicana completaria 85 anos de idade.  

Hloyase, nome da mãe de Malangatana, musa das suas criações e do seu primeiro atelier, é uma marca 100% nacional, que foi apresentada, em primeira mão, numa colecção da estilista Shaazia Adam, na última edição do Maputo Fashion Week. Expõe um conceito juvenil e refrescante, em estampas e pronto a vestir confeccionados com tecidos adequados ao nosso clima, designadamente, viscose, linho e algodão. Devido às restrições causadas pela covid-19, as peças são totalmente comercializadas no fórum digital, nas plataformas online da marca, com entrega ao domicílio. Os artigos estão também expostos no Balcão Premier do Absa Bank Moçambique, até ao final do mês de Março, dando continuidade ao projecto iniciado por esta instituição bancária em 2020 em parceria a produção do MFW. A iniciativa conta também com o apoio institucional do Ministério da Cultura e Turismo.  

Hloyase, uma marca de roupa  inspirada nos  traços de Malangatana

Sobre Malangatana:

Malangatana Valente Ngwenya foi, e continua ser, o mais conhecido artista plástico moçambicano, tendo elevado o nome do país pelos quatro cantos do mundo. Nasceu a 6 de Junho de 1936, em Matalana, nos arredores da capital. Aos 12 anos de idade, mudou-se, em busca de trabalho, para Lourenço Marques (actual Maputo), onde praticou vários ofícios. Em 1953, era apanhador de bolas num clube de ténis, o que lhe permitiu ingressar nos estudos.  Foi encorajado a desenhar e a pintar pelo biólogo Augusto Cabral e, posteriormente, pelo arquitecto Pancho Miranda Guedes. Expôs pela primeira vez em 1959, no salão de Artes Plástica, e realizou a sua primeira exposição individual em 1961. Homem de muitos talentos, trabalhou em várias formas de arte, tais como desenho, aguarela, tapeçaria, cerâmica, gravura, escultura monumental em ferro e em cimento, e murais. Foi ainda dramaturgo, poeta, cantor, dançarino e músico. Preso pela polícia política portuguesa, a PIDE, na década de sessenta, foi incriminado por ter ligações à Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Depois da Independência de Moçambique, proclamada em 1975, participou em diversas exposições nacionais e a nível internacional. Nos anos 90, exerceu funções políticas como deputado, tendo sido reeleito em 2003. O seu nome está associado à criação de várias instituições culturais, como o Museu Nacional de Arte, o Centro de Estudos Culturais, a actual Escola Nacional de Artes Visuais, o Centro Cultural de Matalana e várias outras organizações artísticas. Foi reconhecido como Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, conquistou a medalha Nachingwea, pela sua contribuição para a cultura moçambicana, e foi nomeado Artista pela Paz, pela UNESCO. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Évora e a condecoração, atribuída pelo governo francês, de Comendador das Artes e Letras”, entre outras prestigiadas distinções e prémios. Faleceu a 5 de Janeiro de 2011, em Matosinhos, Portugal.