Gwaza Muthine
Celebração novamente contida pela pandemia
Escrito por: Hélder Massinga
Desde a eclosão da pandemia da covid-19 que a doença vem desafiando diversos sectores e segmentos da sociedade, em Moçambique e no mundo em geral. Vários ramos de actividade foram literalmente obrigados a encerrar, outros ficaram desorganizados, e muitos tiveram que se reinventar. A pandemia suscitou a adopção de profundas medidas colectivas, e o sector da Cultura e Turismo não foi nisso excepção.
Este ano, tal como no ano passado, o festival cultural de Marracuene Gwaza Muthine não teve o sabor que lhe era habitual. Evento tradicionalmente celebrado com pompa e circunstância na noite do dia 2 de Fevereiro, véspera do Dia dos Heróis Moçambicanos, feriado nacional, recebia antes um verdadeiro formigueiro humano, registando de ano para ano um contínuo aumento no número de participantes. Segundo Justino Cuna, Director dos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia, e porta-voz do Gwaza Muthine, mais de 50 mil pessoas marcaram nele presença em 2019.
Tudo mudou, porém, com a eclosão da pandemia. Este ano não chegou lá o tradicional Comboio da Marrabenta, levando consigo músicos e público, moçambicanos e estrangeiros. Condicionado pelo decreto presidencial, contou com pouca gente e poucas bancas de comes e bebes, com produtos seleccionados. Sem a efervescência e azáfama que lhe eram tão características nesta altura, a vila de Marracuene, para quem a conhece, parecia um local moribundo, apesar de o lema escolhido para o presente ano ter sido “127 anos exaltando a cultura como legado da nossa identidade”.
Este ano não chegou a Marracuene o tradicional Comboio da Marrabenta levando consigo músicos e público, moçambicanos e estrangeiros
Esta efeméride começou a ser celebrada em 1974, tendo havido continuidade em 1975 e 1976. Depois, registou-se uma longa interrupção, até 1994, mas daquele ano a esta parte, embora com muitas restrições nos últimos tempos motivadas pela pandemia, a celebração nunca falhou.
Dados do Ministério da Cultura e Turismo indicam que o sector de cultura e turismo tem sido um dos mais prejudicados pela pandemia. Segundo o vice-ministro Fredson Bacar, em Moçambique, mais de nove mil empreendimentos turísticos e culturais encontram-se encerrados em consequência da covid-19, e mais de quinze mil trabalhadores têm suspensos os seus contratos.
Recorde-se que Gwaza Muthine é como se designa um combate que se travou a 2 de Fevereiro de 1895, nas proximidades de Marracuene, em que as forças rongas demonstraram a sua capacidade de organização e resistência à ocupação colonial portuguesa. E Marracuene é a vila sede do distrito com o mesmo nome, localizado na província de Maputo, na margem direita do rio Incomáti.
