A entrada de novos aviões reforçou a frota, mas também elevou a fasquia. O Governo moçambicano quer agora resultados concretos das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM): mais aeronaves disponíveis para operar, maior pontualidade e uma redução efectiva dos cancelamentos de voos, num esforço para recuperar a confiança dos passageiros.

“O Governo acompanha com atenção o processo de recuperação da LAM. A entrada destas aeronaves não encerra o processo de transformação. Pelo contrário, aumenta a responsabilidade. Agora, é necessário demonstrar que este investimento produz resultados. É necessário aumentar a disponibilidade operacional da frota, melhorar a pontualidade e reduzir os cancelamentos”, afirmou o secretário de Estado dos Transportes e Logística, Chinguane Mabote.

O governante falava no Aeroporto Internacional da Beira, na província de Sofala, centro do país, depois do voo inaugural da segunda aeronave Embraer 190, baptizada “Zambeze”. O aparelho entrou hoje em operação, fazendo subir para 10 o número de aeronaves operacionais da transportadora estatal.

O momento representa mais um passo no profundo processo de reestruturação da LAM, companhia que atravessou vários anos de dificuldades operacionais, condicionada pela reduzida dimensão da frota e pela falta de investimento. A transportadora tem sido igualmente alvo de críticas recorrentes devido aos atrasos e cancelamentos de voos por razões operacionais.

Com a frota agora reforçada, Mabote deixou claro que a responsabilidade passa para a capacidade da companhia de transformar os recursos disponíveis em melhores serviços para os passageiros.

O secretário de Estado instou, por isso, a administração da LAM a “aumentar a confiança dos passageiros e garantir que a companhia avance para uma situação financeira mais sustentável”.

“É isto que esperamos da administração e dos trabalhadores da LAM”, acrescentou.

Para o Governo, a nova fase da transportadora deverá ser marcada por uma gestão competente e orientada para resultados concretos. Mabote sublinhou que a entrada em operação de mais uma aeronave deverá contribuir para melhorar a conectividade dentro do território nacional e facilitar a circulação de pessoas e bens.

O governante procurou, contudo, colocar o impacto da aviação para além das operações aeroportuárias e dos números da frota.

“Quando falamos de transporte aéreo não estamos a falar apenas de aviões. Estamos a falar de uma estudante que precisa de chegar a uma universidade noutra província, de um empresário que precisa de visitar um cliente, de uma empresa que precisa de deslocar os seus técnicos, de uma família que precisa de viajar, de um investidor que precisa de chegar a uma nova região e de um turista que procura explorar o nosso país”, afirmou.

Com a entrada em serviço do segundo Embraer 190, a frota da LAM passou hoje a contar com 10 aeronaves operacionais, numa altura em que a transportadora avança também com a implementação da marca Air Mozambique.

A primeira das duas novas aeronaves, ambas com capacidade para 100 passageiros, começou a operar na sexta-feira. O aparelho realizou o voo inaugural entre Maputo e Nacala, na província de Nampula, já sob a nova designação comercial Air Mozambique.

O Governo havia anteriormente explicado que a introdução da nova marca e o reforço da frota fazem parte do plano de reestruturação e recuperação da LAM. A estratégia pretende aumentar a eficiência operacional, assegurar a sustentabilidade financeira da empresa e melhorar a qualidade e a regularidade dos serviços prestados aos passageiros.

Com a designação Air Mozambique, a transportadora adopta igualmente uma nova identidade visual, integrada na estratégia de transformação da companhia, lançada há um ano como uma das prioridades do Presidente da República, Daniel Chapo.

O processo deverá continuar nos próximos meses. Na terça-feira, o presidente da comissão de gestão da LAM, Dane Kondic, afirmou que a empresa prevê terminar o ano com 12 aeronaves em operação. Quando a actual administração assumiu funções, em Maio de 2025, a companhia dispunha de apenas três aviões.

A reestruturação envolve igualmente alterações na estrutura accionista da transportadora. Em 2025, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) adquiriu uma participação de 25,2% no capital da LAM. A Empresa Moçambicana de Seguros (Emose) e os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) passaram, por sua vez, a deter participações de 15,4% cada.

Com mais aviões disponíveis e uma nova identidade comercial, o desafio colocado pelo Governo passa agora por transformar o reforço da frota em resultados visíveis para quem viaja: menos cancelamentos, maior pontualidade e uma companhia financeiramente mais sustentável.