Apesar de a energia eléctrica poder encontrar-se muito perto, os anos vão passando sem que chegue a toda a gente, razão pela qual muitos membros das comunidades rurais utilizam painéis solares para produzir a energia doméstica de que necessitam. Como nem todos estão capazes de adquirir esses painéis, ficam dependentes de vizinhos e do pagamento de altas taxas para poderem carregar os seus dispositivos. Das constantes discussões com um parceiro local e com a comunidade de Mangunze, emanou uma solução, a instalação da Girafa Solar.
“A nossa pesquisa também identificou o valor inerente da comunicação, especificamente via celular, no espaço rural, onde é fundamental para o crescimento socioeconómico das comunidades. Concluímos que os celulares, ao expandirem e fortalecerem as redes sociais, contribuem para a melhoria dos meios de subsistência rurais e, consequentemente, para a redução da pobreza; incrementam a capacidade das pessoas de lidar com emergências; reduzem custos de viagens; maximizam os resultados das viagens necessárias; aumentam a acessibilidade temporal e ampliam a eficiência das actividades rurais. O uso de celulares também reduz os custos de desenvolver negócios e aumenta a produtividade, ajudando os comerciantes rurais e agricultores a garantirem melhores mercados e preços ao comunicar rapidamente informações relacionadas com os seus negócios.” – revelam os empreendedores.
Com base nas sugestões recebidas, o projecto foi redesenhado, e os painéis elevados, e rapidamente se viu que, devido ao alçado lateral, se tinha projectado uma girafa, uma “Girafa Solar”
A forma de uma girafa foi a escolhida pelo design a ela associado. O projecto, no início somente uma cobertura tendo por cima painéis solares, designou-se primeiramente carregador solar. Logo que foi apresentado, mereceu críticas por parte da comunidade, que aconselhou a elevarem-se os painéis. Com base nas sugestões recebidas, o projecto foi redesenhado, e os painéis elevados, e rapidamente se viu que, devido ao alçado lateral, se tinha projectado uma girafa, uma “Girafa Solar”.
Tanto o promotor do projecto – a Fundação Carlos Morgado – como os seus parceiros, a Embaixada da Irlanda, na qualidade de financiadora, e a Mozambique Women of Energy (MWE), acreditam que o projecto é benéfico para todo o país, especialmente para as comunidades rurais. O implementador local é a Associação Nykani Mavoko.
Segundo o Banco Mundial, Moçambique tem 7,9% de acesso a electricidade no espaço rural, espaço em que – está provado – o telefone celular é uma ferramenta socioeconómica de grande valor, não só pela sua capacidade como meio de comunicação, mas também pela facilidade com que pode ser transportado. O primeiro grande passo é definir-se uma solução base com custo consolidado e benefícios definidos.
Acerca de novas soluções de informação, é intenção imediata da Girafa Solar oferecer um dispositivo digital (um tablet) que permita aceder a mais informação, como, por exemplo, a que é proporcionada pela Wikipédia em português, bem como a jogos, vídeos e outra informação didáctica. A instalação de uma televisão também está a ser estudada. Estão a ser desenvolvidas outras versões da Girafa Solar, tendo sido já identificadas algumas potencialidades, tais como bombeamento e armazenamento de água e refrigeração agrícola. Para isso é necessário que se desenvolvam soluções com impacto a uma relação custo-benefício aceitável. Nem sempre as soluções alcançáveis têm o benefício esperado, casos em que se torna necessário redesenhar a solução, o que atrasa a mitigação do problema identificado.
