A banda moçambicana Ghorwane, fundada há 41 anos, é a mais antiga em actividade no país. Ao longo da sua história, enfrentou desafios significativos, incluindo o assassinato de dois membros influentes e a censura. No entanto, conseguiu superar estas adversidades e até gravar o seu primeiro álbum nos estúdios de Peter Gabriel, ex-membro dos Genesis.
Roberto Chitsonzo, vocalista principal e guitarrista rítmico da banda, destacou a determinação do grupo em continuar a fazer música em homenagem aos colegas falecidos, Zeca Alage e Pedro Langa. Zeca Alage, cantor e saxofonista, foi assassinado em 1993, e Pedro Langa, cantor e guitarrista, em 2001. A vontade de preservar a obra dos colegas falecidos é uma das forças motrizes que mantêm a banda unida.
Durante a guerra civil moçambicana, a banda provocou controvérsia ao lançar a música "Massotcha", que criticava a priorização de armas em detrimento do bem-estar da população. Esta coragem em abordar temas sociais e políticos tornou a banda uma voz importante para o povo moçambicano. O então presidente Samora Machel referiu-se à banda como "bons rapazes", reconhecendo a relevância das suas mensagens.
A sonoridade única dos Ghorwane resulta da fusão de ritmos e danças tradicionais moçambicanas com instrumentos convencionais. Esta combinação impressionou Peter Gabriel, que os convidou a gravar o álbum "Majurujenta" no seu estúdio em Londres em 1991. Esta colaboração marcou o início da internacionalização da banda.
Ao longo dos anos, Ghorwane também colaborou com figuras proeminentes como o escritor Mia Couto, que escreveu letras para a banda sonora da série televisiva "Não é preciso empurrar", sobre educação cívica e reconciliação em Moçambique.
A banda continua a renovar-se, integrando membros mais jovens e mantendo-se fiel às suas raízes. Para celebrar os 41 anos de existência, Ghorwane tem programados vários espectáculos comemorativos para este ano.
