A ideia de que Millennials e Gen Z estão a envelhecer de maneira distinta não é apenas uma impressão superficial, mas sim um fenómeno que tem vindo a ser analisado por especialistas. Nas redes sociais, onde o debate se intensificou, multiplicam-se comparações entre celebridades das duas gerações, reforçando a percepção de que os Millennials, actualmente entre os 30 e 40 anos, aparentam ser mais jovens do que os Gen Z, que ainda estão na faixa dos 20.

Esta diferença pode ser explicada por uma série de factores, que vão desde a influência das redes sociais até à forma como cada geração encara os cuidados com a pele e os procedimentos estéticos. Médicos e dermatologistas indicam que a Geração Z, por ter crescido imersa no mundo digital, é mais susceptível a padrões de beleza filtrados e irreais. Como resultado, muitos jovens submetem-se a tratamentos invasivos demasiado cedo, incluindo preenchimentos e toxinas, o que pode comprometer o desenvolvimento natural do rosto e, ironicamente, dar-lhes uma aparência mais madura do que a idade real.

O médico Joney de Souza, especialista em medicina estética, afirma que o fácil acesso à informação sobre cosméticos e tendências de beleza nas redes sociais impulsionou um consumo precoce de produtos e procedimentos. No entanto, essa procura nem sempre é bem direccionada, levando a escolhas inadequadas que podem acelerar o processo de envelhecimento, em vez de preveni-lo.

Já os Millennials, por outro lado, tendem a apostar numa abordagem preventiva, focada em hábitos saudáveis e cuidados regulares com a pele. O uso consistente de protector solar, uma alimentação equilibrada e a prática de exercício físico são algumas das razões apontadas para a aparência mais jovem deste grupo. Além disso, os Millennials tiveram acesso a produtos de skincare de qualidade desde cedo, mas sem a mesma pressão digital que influencia os mais novos.

Especialistas como Sophie Shotter e Ross Perry alertam que o uso indevido de produtos antienvelhecimento por parte da Geração Z pode ter consequências negativas. Substâncias como o retinol, por exemplo, são demasiado agressivas para peles jovens e podem provocar irritação e danos a longo prazo.

Outro fator relevante é o impacto dos estilos de vida distintos. Segundo Amish Patel, especialista em cuidados com a pele, hábitos como o consumo excessivo de álcool, tabaco e alimentos processados afectam directamente a aparência da pele. E, de acordo com estudos recentes, estes comportamentos estão a tornar-se mais comuns entre os jovens da Geração Z.

A forma como cada geração encara a maquilhagem também contribui para a percepção da idade. Os Millennials preferem um visual mais natural, enquanto os Gen Z tendem a optar por técnicas mais marcadas, como contornos intensos e preenchimento labial. Estas escolhas podem, por vezes, transmitir uma aparência mais madura do que a idade real.

O futuro das próximas gerações

Os especialistas alertam que a preocupação com a estética está a surgir cada vez mais cedo. Jessica Weiser, dermatologista em Nova Iorque, afirma que é cada vez mais comum ver crianças a partir dos nove anos a procurar cuidados dermatológicos. Muitas vezes, estas consultas são motivadas por preocupações dos pais, que tentam travar hábitos desnecessários ou até prejudiciais.

A psicóloga Becky Kennedy chama a atenção para um outro lado desta questão: a obsessão com a aparência pode mascarar problemas emocionais mais profundos, especialmente em jovens expostos desde cedo à pressão das redes sociais.

Se, por um lado, cuidar da pele desde a adolescência pode ser benéfico, por outro, a utilização precoce de produtos e tratamentos inadequados pode acelerar o envelhecimento. A recomendação dos especialistas é simples: rotinas básicas de limpeza, hidratação e protecção solar são suficientes para manter uma pele saudável sem comprometer a juventude natural.

Com uma nova geração já a demonstrar grande interesse pelos cuidados estéticos, fica a questão: até que ponto a busca pela aparência ideal está a afastar as pessoas da verdadeira saúde da pele?