O Governo reconheceu que o acesso ao crédito continua a ser um dos maiores entraves ao desenvolvimento agrícola em Moçambique, mas garantiu que vários programas financeiros estão a ser mobilizados para inverter este cenário e impulsionar a produção nacional.
A garantia foi apresentada durante o FORIN 2026, realizado em Lichinga, província do Niassa, onde o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP) revelou que apenas 0,6% dos agricultores moçambicanos têm actualmente acesso ao crédito bancário formal.
Perante este desafio, o Executivo apresentou um conjunto de fundos, programas e mecanismos de financiamento destinados a apoiar agricultores, pequenas empresas rurais e agro-negócios, numa estratégia que pretende aumentar a inclusão financeira e acelerar a modernização do sector.
Entre as principais iniciativas destacadas está o FECOP, avaliado em 13 milhões de dólares, que prevê financiamento para pequenas e médias empresas ligadas à agro-indústria. O programa contempla créditos até 500 mil dólares, juros bonificados e garantias que podem atingir 80%, reduzindo os riscos para os produtores e instituições financeiras.
O Governo avançou igualmente que o Fundo de Segurança Alimentar (FSA) continuará a apoiar microfinanças e pequenos agro-negócios, com financiamentos que podem chegar a 2,5 milhões de meticais, visando estimular a produção e fortalecer a economia rural.
Outro destaque apresentado no fórum foi o Programa de Relançamento do Sector Privado (PRSP), estimado em cerca de 1,5 mil milhões de dólares, considerado uma das principais apostas para revitalizar sectores produtivos e dinamizar investimentos.
As autoridades anunciaram ainda programas direccionados à inovação e desenvolvimento do agro-negócio através do FCID, combinando crédito bonificado, subvenções e fundos rotativos para facilitar o acesso ao financiamento e reduzir custos para os produtores.
No encontro, foram igualmente apresentados vários programas internacionais e regionais já em implementação, entre eles o Comércio de Conectividade da África Austral, o Mais Oportunidades, o MozRural e o Conecta Negócios, todos voltados para o fortalecimento das cadeias de valor agrícola e apoio às pequenas empresas.
A GAPI SA e outras instituições de microfinanças também anunciaram novas linhas de crédito para micro, pequenas e médias empresas rurais, com taxas diferenciadas, assistência técnica e mecanismos de garantia para facilitar o acesso ao capital.
O Executivo destacou ainda três grandes programas previstos para 2026: o MozAgribus, financiado pelo Banco Mundial em 500 milhões de dólares; o RIVACREP, apoiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento; e o PROCAVA, projectado até 2030, com enfoque na produção alimentar, resiliência climática e inclusão económica de jovens e mulheres.
Segundo o MAAP, o objectivo é transformar o financiamento agrícola num instrumento central para aumentar a produção, impulsionar o agro-processamento e fortalecer a segurança alimentar no país.
O fórum terminou sob uma mensagem de confiança e aposta no potencial produtivo nacional: “Produzir para Alimentar Moçambique.”
