A Feira Internacional de Maputo (FACIM) celebrou a 59ª edição este ano, numa dinâmica semana nos domínios económico e comercial. Realizada no Centro Internacional de Feiras e Exposições de Ricatla, no distrito de Marracuene, entre os dias 26 de Agosto e 1 de Setembro, a FACIM 2024 reuniu mais de 3.300 expositores, provenientes de 26 países, reafirmando o seu papel como um dos maiores eventos de promoção económica e industrial do país. Sob o lema “Industrialização: Inovação e Diversificação da Economia Nacional”, esta edição destacou-se por colocar em evidência o potencial de Moçambique enquanto hub regional e plataforma estratégica para parcerias empresariais. O evento acolheu expositores de sectores variados, com especial foco na agro-pecuária e na indústria transformadora, apresentando as mais recentes inovações e oportunidades de desenvolvimento.
Corredores de desenvolvimento e internacionalização
Um dos grandes destaques deste ano foi a criação de um pavilhão dedicado aos “Corredores de Desenvolvimento”, sublinhando o papel crucial que Moçambique desempenha como ponto de ligação entre infra-estruturas portuárias e mercados regionais. Este espaço promoveu debates sobre logística e serviços portuários, o que fomentou sinergias entre investidores internacionais e locais. A Índia, como país homenageado, desempenhou um papel central marcando a forte cooperação entre Moçambique e um dos gigantes económicos da Ásia, enquanto, a nível doméstico, a província de Manica, também destacada este ano, aproveitou a oportunidade para mostrar a sua evolução no sector empresarial local, reforçando a importância do investimento regional.
Crescimento das pequenas e médias empresas (PMEs)
Para além dos grandes investidores e multinacionais, as PMEs tiveram um papel crucial nesta edição da FACIM. O Ministro da Indústria e Comércio, Mateus Magala, sublinhou que o evento foi uma excelente oportunidade para as PMEs moçambicanas fortalecerem as suas capacidades, inovarem nos seus processos produtivos e explorarem novos mercados. A FACIM ofereceu uma plataforma privilegiada para que estas empresas se conectassem a potenciais parceiros internacionais, contribuindo para o crescimento económico sustentável de Moçambique.
Seminários e actividades paralelas
Outro grande momento desta edição foi a palestra do Museu do Mar sobre pesca sustentável através da aquacultura. Cerca de trezentas crianças da Escola Primária do 1º e 2º Graus 16 de Junho, de Marracuene, aprenderam sobre como a aquacultura pode garantir a segurança alimentar e preservar os recursos marinhos, especialmente durante o período de defeso da pesca. A educadora Nélia Paul destacou a importância de se formarem “guardiões do mar”, incentivando os jovens a compartilhar o seu conhecimento com as suas famílias.
Além das iniciativas de educação ambiental, a FACIM 2024 também se destacou por discutir políticas de urbanização e a contribuição das empresas europeias para o desenvolvimento sustentável em Moçambique. O embaixador da União Europeia, Antonino Maggiore, enfatizou o papel fundamental do sector privado, enquanto Simone Santi, da Eurocam, abordou os desafios do ambiente de negócios, como a corrupção e a necessidade de uma boa planificação urbana para atrair investimentos e oportunidades.
A FACIM 2024 serviu de plataforma para impulsionar a preparação de Moçambique para a EXPO 2025, que ocorrerá em Osaka, no Japão. Discussões sobre Inteligência Artificial e Robótica foram centradas na importância de mostrar as potencialidades do país em eventos globais.
Inovações e acessibilidade
A organização da feira tomou medidas importantes para garantir a acessibilidade ao evento, reduzindo o preço dos bilhetes e do estacionamento. Com isso, cerca de 65 mil visitantes passaram pelos pavilhões ao longo dos seis dias, participando em seminários temáticos e fóruns de negócios. As discussões giraram em torno de temas como a industrialização, o investimento e as vantagens da Zona de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA), uma ferramenta vital para o desenvolvimento económico do continente. A feira deste ano também contou com a estreia do “Pavilhão da Industrialização”, um espaço dedicado a empresas do sector industrial que exibiram inovações tecnológicas e soluções industriais para desafios de produção. Este pavilhão foi um dos pontos altos do evento, reunindo alguns dos maiores nomes da indústria moçambicana e internacional.
Impacto económico e futuro promissor
No encerramento oficial, o Primeiro-Ministro, Adriano Maleiane, elogiou o impacto económico positivo da FACIM 2024. Destacou o empenho dos expositores em melhorar a qualidade dos produtos e serviços “Made in Mozambique”, promovendo a inovação e diversificação da economia nacional. A qualidade dos produtos expostos e as parcerias firmadas ao longo do evento foram apontadas como sinais de que Moçambique está no caminho certo rumo à industrialização. Maleiane felicitou ainda os vencedores das 17 categorias de prémios atribuídos na feira, incentivando-os a continuar a melhorar os seus processos e produtos e a servir de inspiração para outros seguirem o mesmo caminho de excelência.
A 59ª edição da FACIM deixou um legado importante para a economia de Moçambique. Ao promover o país como um destino de negócios atractivo, reforçando as relações internacionais e destacando a capacidade de inovação das empresas nacionais, a feira posicionou-se como um motor de crescimento para os próximos anos. Agora, cabe às empresas moçambicanas e aos seus parceiros internacionais transformar as oportunidades geradas nesta edição em realidades concretas que possam contribuir para o desenvolvimento sustentável do país. Moçambique prossegue o seu caminho de industrialização e inovação com a FACIM a desempenhar um papel central na construção de um futuro económico mais diversificado e inclusivo.
