A melhoria da qualidade do ensino em Moçambique exige mais do que investimentos em infra-estruturas e recursos materiais. Requer uma transformação na forma como o sistema educativo se relaciona com os professores, estudantes e famílias, aliada a uma aposta consistente na ciência, na inovação tecnológica e na formação desde os primeiros anos de vida.
Esta é a visão defendida pelo novo ministro da Educação e Cultura, Edson Macuácua, e pelo secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior, Isaú Menezes, que apontam caminhos complementares para enfrentar os desafios estruturais da educação no país.
Para Edson Macuácua, a transformação do sector deve começar pelo fortalecimento do diálogo entre os diferentes intervenientes do processo educativo. O governante considera indispensável construir uma relação de proximidade com professores, alunos e encarregados de educação, assente no respeito pela dignidade humana e no reconhecimento do papel dos profissionais do ensino.
A valorização dos professores surge, neste contexto, como um dos pilares fundamentais da estratégia defendida pelo ministro, que entende ser necessário criar condições para que estes desempenhem as suas funções com o reconhecimento e a dignidade que a profissão exige.
Macuácua reafirmou igualmente o compromisso do Executivo de manter a educação entre as principais prioridades nacionais. Na sua perspectiva, os recursos destinados ao sector não devem ser encarados como uma simples despesa pública, mas como um investimento estratégico na construção do futuro, no desenvolvimento económico e social e na consolidação da soberania nacional.
A modernização tecnológica constitui outra dimensão desta visão. O ministro defendeu uma integração responsável das tecnologias de informação e comunicação no sistema educativo, com particular atenção à crescente utilização da inteligência artificial.
Segundo explicou, o Governo pretende estabelecer mecanismos de regulação que assegurem uma utilização ética destas ferramentas, promovendo simultaneamente a capacidade dos moçambicanos para desenvolverem os seus próprios conteúdos digitais.
A intenção, sublinhou, é ultrapassar uma realidade em que o país se limita ao consumo de tecnologias e conhecimentos produzidos no exterior, incentivando uma participação mais activa na criação e produção de soluções digitais.
Da primeira infância à universidade
No domínio da ciência e do ensino superior, Isaú Menezes defende uma estratégia que coloque a investigação científica ao serviço das necessidades concretas da população.
O secretário de Estado considera prioritária a mobilização de recursos adicionais para fortalecer as instituições de ensino superior, melhorar a qualidade da formação académica e ampliar a capacidade nacional de produzir conhecimento científico.
Na sua perspectiva, as universidades e os centros de investigação devem desempenhar um papel mais interventivo na sociedade, contribuindo para encontrar respostas aos problemas que afectam as comunidades e aos desafios do desenvolvimento do país.
Contudo, Menezes alerta que a qualidade do ensino superior não pode ser analisada isoladamente das restantes etapas do percurso educativo.
O dirigente sustenta que a formação de profissionais qualificados começa muito antes da entrada na universidade, razão pela qual considera indispensável uma intervenção articulada desde a primeira infância, passando pelos diferentes níveis de escolaridade, até à conclusão da formação superior.
Esta abordagem pressupõe uma visão integrada do sistema educativo, acompanhada de investimentos contínuos e de estratégias capazes de assegurar que os estudantes desenvolvam, progressivamente, conhecimentos e competências ajustados às necessidades nacionais.
Para Menezes, a melhoria dos resultados académicos depende, assim, da qualidade de todo o percurso de aprendizagem, e não apenas das condições encontradas pelos estudantes nas instituições universitárias.
As posições assumidas pelos dois dirigentes convergem na defesa de uma educação mais inclusiva, moderna e orientada para os desafios do desenvolvimento nacional.
De um lado, Edson Macuácua coloca a valorização dos professores, o diálogo institucional e a utilização responsável das novas tecnologias entre os instrumentos necessários à transformação do ensino. Do outro, Isaú Menezes destaca a importância de uma formação contínua, sustentada pela investigação científica e por investimentos que acompanhem os estudantes desde os primeiros anos de aprendizagem.
Em conjunto, estas orientações apontam para uma estratégia de reforço do sistema educativo moçambicano, na qual a qualidade do ensino, a produção de conhecimento e a preparação das novas gerações assumem um papel central no desenvolvimento do país.
