Através da patinagem, o moçambicano Donaldo Salvador, que cruzou o país do Rovuma ao Maputo num percurso de mais de 3.000 km, pretende reforçar a unidade nacional e elevar a modalidade ao mais alto nível.
É um apaixonado pelo desporto e nele encontrou o verdadeiro amor. Trata-se de Donaldo Salvador, de 33 anos de idade, natural da cidade de Quelimane, na província da Zambézia, no centro de Moçambique. É um dos 300 melhores patinadores do planeta – classificação obtida em 2021 na 47ª edição da Maratona BMW de Berlim de patinagem em linha. O seu amor pelos patins parece imensurável, e pretende espalhar esse bem-querer pelo país, como forma de divulgar o desporto especial e massificar a patinagem em linha.
Donaldo Salvador é um dos 300 melhores patinadores do planeta – classificação obtida em 2021 na 47ª edição da Maratona BMW de Berlim de patinagem em linha
Formado em Ciências do Desporto pela Faculdade de Educação Física e Desporto da Universidade Pedagógica de Maputo, Donaldo apaixonou-se pela patinagem por volta dos 18 anos de idade, mas desde cedo se assumiu como um verdadeiro fanático do desporto. Possui formação em diferentes modalidades desportivas, como, por exemplo, arbitragem em hóquei em patins, voleibol de praia e de salão. Tem igualmente conhecimentos científicos em natação, voleibol, andebol, ciclismo e atletismo. “Comecei a praticar a modalidade com mais ou menos 18 anos, na cidade de Quelimane. Desenvolvi o gosto sozinho, com um par de patins que adquiri num vizinho. Com o tempo, fui ganhando prazer, devido à influência de alguns amigos nos momentos livres, depois da escola. Mais tarde, quando Moçambique ganhou o campeonato do mundo do grupo B, eu comecei a sonhar ser um campeão nacional como eles”, declarou. Graças à sua aptidão e flexibilidade em aprender, Donaldo Salvador pratica um pouco de todas as modalidades, com muito entusiasmo. Faz patinagem em linha, patinagem artística, hóquei em patins, saltos em altura em linha, salto em comprimento em patins em linha, ciclismo, atletismo, natação, basquetebol, andebol, motorizada, drift e hipismo. Visivelmente emocionado e cheio de orgulho, Donaldo Salvador fez saber que foi o primeiro presidente da Associação de Patinagem da Cidade de Quelimane, e o primeiro internacional da área de patinagem em linha em Moçambique. “Tenho uma escola de patinagem que funciona na Universidade Eduardo Mondlane e sou professor de patinagem.”
Salvador promoveu a primeira maratona de patinagem em linha na cidade de Quelimane. Foram cerca de 30 km, em 2020. Impulsionou a primeira maratona de patinagem em Nampula, na Ilha de Moçambique, na província de Gaza, de Vilankulo até Phambara, e realizou a primeira prova de velocidade na cidade da Beira. Em todas as provas, houve participação de mais de 40 jovens, incluindo o júri e a equipa técnica. “Sempre pensei em fazer algo diferente no seio da patinagem em linha”, desabafou o patinador, tendo dito de seguida que, como forma de homenagear a sua madrinha Maria Tomásia Maciel, que muito fez e contribuiu para o crescimento desta modalidade em Moçambique, idealizou uma maratona inédita e gigantesca. “Percorri de patins do Conselho Autárquico de Quelimane ao Conselho Autárquico de Maputo, num percurso de cerca de 1.640 km”, proferiu orgulhosamente, acrescentando que este exercício decorreu ao longo de 22 dias, incluindo cinco dias de descanso. Este foi o primeiro recorde nacional e africano.
De Maio a Junho do ano em curso, Donaldo Salvador realizou uma outra maratona de patinagem em linha, com o intuito de criar coesão no seio do povo moçambicano. A corrida em patinagem foi iniciada na ponte da Unidade Nacional, em Cabo Delgado, extremo norte do país, a 1 de Maio, e conheceu o seu término no dia 24 de Junho, na Ponta do Ouro, província de Maputo. Logo no dia seguinte, 25 de Junho, Dia da Independência Nacional, o patinador e a sua equipa foram recebidos pelo Chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, como forma de reconhecimento da acção do jovem em prol da unidade nacional.
Por seu turno, Ricco Maciel Alibai, director do projecto da Maratona afirmou: “Poucos acreditaram em nós, pensavam que atravessar o país do Rovuma ao Maputo através de patinagem fosse impossível. Muitos só agora no fim deram a cara, e isso nos entristece bastante”, desabafou o dirigente desportivo. Na mesma linha de abordagem, o responsável assegurou que “o relevo, a alimentação, os hábitos e costumes, as condições da via pública, entre outros factores, constituíram um imenso desafio. Não obstante essas adversidades, a mensagem da unidade nacional foi passada em cada etapa do processo, desde a apresentação do plano até ao fim do percurso”, garantiu. “A mensagem passou e nós sentimos os efeitos da unidade nacional, vimos um país uno e indivisível. As pessoas dialogavam connosco nas mais variadas línguas, e nós respondíamos naquelas que conhecemos. Houve sempre um apoio total e o desejo de que aquilo chegasse a Maputo e reportássemos todas as incidências do processo. Em suma, foi um evento muito bonito”, defendeu Ricco Alibai.
O director do projecto da Maratona certificou ainda que “somos uma nação muito jovem em que cada dirigente aprende com o outro como indivíduo, e obviamente se sente realizado acreditando que a Federação Moçambicana de Patinagem também carrega o mesmo sentimento. Assim como a Secretaria do Estado do Desporto, a Presidência da República, ao seu mais alto nível, ao galardoar Donaldo Salvador com a medalha de mérito desportivo. Este é um projecto transversal e vertical em termos de satisfação; o que nos agrada ainda é que há um certo consenso de que Donaldo merece este reconhecimento. Este é o projecto mais extenso que já aconteceu em Moçambique de forma contínua, e várias lições foram colhidas”, finalizou o responsável desportivo.
