O dinheiro físico em circulação em Moçambique voltou a crescer em Julho, aproximando-se dos 77 mil milhões de meticais (1,04 mil milhões de euros) e estabelecendo um novo máximo. O aumento mensal foi de 0,5% e prolongou, pelo quarto mês consecutivo, uma trajectória ascendente iniciada em Abril, depois das quedas registadas ao longo do primeiro trimestre.

Os dados estatísticos mais recentes do Banco de Moçambique (BdM), citados pela Lusa, mostram uma mudança clara no comportamento do numerário desde o início do ano. Em Dezembro de 2025, havia cerca de 75 mil milhões de meticais (1022 milhões de euros) em circulação, montante que recuou para 69 mil milhões de meticais (942 milhões de euros) em Janeiro.

A contracção prosseguiu nos dois meses seguintes. Em Fevereiro, o dinheiro em circulação desceu para aproximadamente 67,6 mil milhões de meticais e, em Março, voltou a cair, ainda que ligeiramente, para 67,4 mil milhões.

Abril marcou a inversão da tendência. O volume de numerário subiu então para 70,8 mil milhões de meticais (966 milhões de euros), iniciando uma sequência de aumentos que atravessou Maio e Junho e voltou a repetir-se em Julho, mês em que o indicador alcançou um novo máximo.

A evolução do dinheiro em circulação é um dos indicadores acompanhados pelos bancos centrais para avaliar as condições de liquidez na economia. Uma redução do numerário tende a limitar a liquidez disponível, enquanto o seu crescimento pode traduzir maior disponibilidade de moeda e, dependendo do contexto económico, contribuir para pressões sobre os preços.

O aumento ocorre num período em que o Banco de Moçambique procura conter a liquidez no sistema financeiro. A 29 de Julho, o banco central manteve a taxa de juro de política monetária, a MIMO, em 9,25%, reconhecendo a redução da liquidez em moeda nacional e antecipando uma subida da inflação no curto prazo. Para o médio prazo, contudo, a instituição projectou o regresso da inflação a níveis de um dígito.

“Esta decisão é sustentada pela redução da liquidez em moeda nacional no sistema bancário, decorrente do aumento do coeficiente de reservas obrigatórias em Maio último, não obstante a prevalência de elevados riscos e incertezas associados às projecções de inflação”, afirmou na ocasião o então governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela.

A decisão saiu da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), realizada em Maputo. O órgão reúne-se de dois em dois meses e manteve, em Julho, a taxa MIMO inalterada pelo terceiro encontro consecutivo, repetindo as decisões adoptadas em Março e Maio.

A estabilidade da taxa interrompeu, entretanto, o movimento de flexibilização monetária que vinha sendo executado desde Janeiro de 2024. Antes das sucessivas manutenções, o Banco de Moçambique tinha realizado um ciclo de 12 reduções consecutivas da taxa de referência.

Em Maio, o CPMO avançou igualmente com uma medida destinada directamente à absorção da liquidez existente no mercado. O coeficiente de reservas obrigatórias sobre os passivos em moeda nacional foi elevado de 29% para 39%, numa tentativa de retirar excesso de liquidez do sistema e reduzir potenciais pressões inflacionistas.

Para os passivos denominados em moeda estrangeira, o coeficiente de reservas obrigatórias permaneceu inalterado em 29,5%.

A evolução do numerário nos próximos meses será, assim, acompanhada num contexto em que a autoridade monetária procura equilibrar a liquidez disponível com os riscos para a estabilidade dos preços. O próximo encontro do Comité de Política Monetária está marcado para 30 de Setembro.