Será que o futuro sustentável de países como Moçambique poderá ser inspirado por uma prática que já começa a ganhar força na Europa? Num continente onde a escassez de matérias-primas estratégicas é uma preocupação crescente, a União Europeia encontrou uma solução engenhosa dentro dos seus próprios resíduos: a mineração urbana.
Este conceito propõe extrair metais e minerais valiosos a partir de equipamentos electrónicos descartados, como telemóveis, computadores e baterias, em vez de os procurar no subsolo, como na mineração tradicional. E há um dado impressionante: calcula-se que existam 700 milhões de telemóveis antigos guardados em casas por toda a Europa — muitos deles contendo pequenas quantidades de lítio, cobalto e metais de terras raras, cruciais para tecnologias verdes e digitais.
Moçambique, que enfrenta os seus próprios desafios em matéria de gestão de resíduos e desenvolvimento tecnológico, poderá olhar para esta estratégia com interesse. Embora a realidade seja distinta, a ideia de reaproveitar o que se deita fora como fonte de riqueza e independência é uma lição valiosa.
Actualmente, 90% dos materiais estratégicos utilizados na UE são importados, em grande parte da China. Para inverter essa dependência, a União Europeia adoptou, em 2024, a Lei das Matérias-Primas Críticas, estabelecendo como meta reciclar 25% dessas matérias até 2030 — um salto significativo face aos actuais 1% provenientes da reciclagem.
Esta viragem reflecte uma visão de futuro baseada na economia circular, onde o lixo é visto não como um fim, mas como um novo começo. Para Moçambique, onde o lixo electrónico cresce sem destino adequado, a mineração urbana poderá ser uma alternativa sustentável e estratégica, que alia preservação ambiental à geração de valor económico.
