Nos últimos anos, ciclones, cheias e outras catástrofes ambientais têm assolado Moçambique com uma frequência alarmante, trazendo consigo um rasto de destruição e dor. As consequências são devastadoras, milhares de pessoas perdem as suas casas, as suas terras e os seus bens, enquanto outras são forçadas a abandonar as suas comunidades em busca de abrigo. Significativo é também o impacto nas infra-estruturas, deixando muitas estradas e pontes inutilizáveis. Como resultado, o acesso a serviços essenciais, como hospitais, escolas e postos de saúde, pode ser severamente comprometido. O impacto emocional é igualmente devastador nas comunidades afectadas. Pessoas perdem amigos, familiares e entes queridos. A vida normal é interrompida e, muitas vezes, as pessoas ficam presas em abrigos improvisados, sem acesso a alimentos, água ou saneamento básico adequado.
No ano 2000, Moçambique enfrentou uma das piores cheias da história. Chuvas torrenciais causaram inundações generalizadas, afectando cerca de 2 milhões de pessoas e causando inúmeras mortes. Acredita-se que cerca de 75% da área total do país foi afectada na altura, com prejuízos estimados em mais de 500 milhões de dólares americanos. Para além das inundações terem destruído casas e infra-estruturas, causaram graves problemas de saúde pública, como a disseminação de doenças como cólera e malária. Durante o tempo que se seguiu, fomos afectados por outros desastres: em 2019, a região de Sofala foi atingida por dois ciclones devastadores, o Idai e o Kenneth, eventos meteorológicos que deixaram um enorme rasto de destruição em seu caminho. O ciclone Idai foi o primeiro a atingir a região, em Março de 2019, com prejuízos estimados em mais de 2 mil milhões de dólares americanos. Foi considerado um dos piores desastres naturais da história do país, tendo feito mais de 1000 mortos e afectado cerca de 3 milhões de pessoas. O ciclone Kenneth atingiu a mesma região em Abril do mesmo ano, causando mais danos e deixando mais de 40000 pessoas desabrigadas. Muito recentemente, no início de 2023, a região da costa leste de África foi novamente atingida por um ciclone, o Freddy, que trouxe ventos devastadores de até 200 km/h e chuvas intensas que causaram inundações e deslizamentos de terra em Moçambique, Madagáscar e Malawi. Dados estatísticos revelam que este ciclone foi um dos mais fortes da história recente. Durou mais de 31 dias (o recorde até então), o que o torna o mais duradouro. Tal como nos outros países por que passou, causou mortes e inúmeros danos em Moçambique, aqui em diversas províncias, com maior incidência na província da Zambézia. 
Apesar da tristeza que acompanha todas estas catástrofes, há uma sensação de esperança e união que emerge. As pessoas unem-se para ajudar a reconstruir o que foi perdido e para apoiar aqueles que precisam. É um lembrete poderoso de quão vulneráveis somos diante da natureza e de que, mesmo nos momentos mais sombrios, a bondade humana pode brilhar intensamente. Embora seja difícil prever quando o próximo “ciclone Freddy” ocorrerá, é importante que o governo e as comunidades locais estejam preparados para lidar com eventos climáticos extremos. As mudanças que o mundo sofre actualmente podem aumentar a frequência e a intensidade desses eventos, e é essencial que medidas de adaptação sejam tomadas para minimizar os danos causados.