A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), em Moçambique, está a caminho de alcançar um marco histórico na sua produção energética. Segundo dados recentes, a empresa superou as expectativas de produção nos primeiros nove meses do ano, com um registo de 12.120,4 GigaWatt-hora (GWh), ultrapassando em 14,3% as previsões para o período. Com este desempenho, a HCB projecta uma produção anual que poderá chegar aos 15.488 GWh, reforçando assim a posição de Moçambique como um centro energético de relevo na região austral de África.
Tomás Matola, presidente do conselho de administração da HCB, salientou que a empresa não só conseguiu uma facturação superior a metade das receitas esperadas para o ano até ao final do terceiro trimestre, mas também concluiu com êxito as negociações relativas ao ajustamento da tarifa de exportação de energia. Estes desenvolvimentos são vistos como passos significativos para a HCB e para o país, pois as receitas geradas permitirão investimentos essenciais na manutenção e expansão da capacidade produtiva da empresa.
A HCB, que já tem planos para aumentar a sua capacidade de geração para 4.000 MW até 2032, revelou que, no início da época chuvosa de 2023/2024, a albufeira de Cahora Bassa apresentava uma cota de armazenamento de água que atingia 87% da sua capacidade útil. Esta reserva hídrica, aliada a uma gestão eficiente e ao uso de tecnologia avançada, é considerada mais do que suficiente para garantir a produção energética até ao final do ano.
A barragem de Cahora Bassa, uma das maiores de África, é um elemento central na estratégia de desenvolvimento energético de Moçambique. A empresa reconhece a crescente demanda por electricidade na região e, em resposta, admitiu a possibilidade de "reactivar" o projecto da nova central, Cahora Bassa Norte, que poderia adicionar uma capacidade significativa de geração de energia.
O projecto Cahora Bassa Norte, que foi apresentado em 2012 mas posteriormente colocado em pausa, poderia, segundo estudos, adicionar uma capacidade de 1.250 MW à rede energética do país. Esta nova central seria construída na margem oposta à Central Cahora Bassa Sul, que actualmente tem uma capacidade máxima de 2.075 MW.
Com estes avanços, Moçambique reforça o seu papel como um dos principais produtores de energia na região, contribuindo para a estabilidade e desenvolvimento económico, não só a nível nacional, mas também para os países vizinhos que dependem da sua energia.
