Num movimento estratégico que reforça a cooperação económica entre a Europa e África, o Governo alemão mobilizou mais de 45 milhões de euros — o equivalente a cerca de 3,3 mil milhões de meticais — para impulsionar o agronegócio em Moçambique, apostando no financiamento directo às pequenas e médias iniciativas agrícolas.

O investimento enquadra-se no programa “Financiamento Inovativo para o Agronegócio” (FINOVA), uma plataforma desenhada para romper uma das maiores barreiras do sector: o acesso ao crédito. Numa economia onde a agricultura continua a ser o principal sustento de grande parte da população, mas absorve apenas uma fracção mínima do financiamento bancário, a iniciativa surge como uma tentativa de inverter esse desequilíbrio estrutural.

A implementação do fundo será repartida por duas instituições-chave. O Banco de Moçambique ficará responsável pela gestão de aproximadamente 33,5 milhões de euros, canalizados através do sistema financeiro nacional, enquanto a Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze administrará cerca de 12 milhões de euros, com enfoque em mecanismos de garantia de crédito, seguros agrícolas — incluindo cobertura contra riscos climáticos — e assistência técnica aos produtores.

No terreno, o impacto esperado é amplo. Os recursos destinam-se a financiar projectos ligados à irrigação, mecanização, armazenamento e processamento agrícola, áreas consideradas críticas para elevar a produtividade e reduzir perdas ao longo da cadeia de valor.

Segundo o director-geral da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze, Celso Cunha, o financiamento será disponibilizado com taxas de juro bonificadas, permitindo que empresários e produtores tenham acesso a condições mais favoráveis num contexto tradicionalmente marcado por custos elevados de crédito.

O programa surge num momento em que apenas cerca de 2% do crédito bancário em Moçambique é direccionado para a agricultura — um dado frequentemente apontado como um dos principais entraves ao crescimento do sector.

Com esta injecção financeira, a Alemanha procura não apenas estimular a produção agrícola, mas também promover a criação de emprego, reforçar a segurança alimentar e dinamizar a economia rural, numa aposta clara no potencial transformador do campo moçambicano.