A primeira-ministra de Moçambique, Benvinda Levi, defendeu a necessidade de uma “transformação profunda” do sistema agro-alimentar nacional como condição essencial para reduzir de forma sustentável a pobreza no país. A governante destacou ainda que esse processo deve colocar a mulher no centro das prioridades.
“Ao falarmos de agricultura, como tema central deste evento, devemos reconhecer uma realidade incontornável: não haverá redução sustentável da pobreza em Moçambique sem a transformação profunda do sistema agro-alimentar”, afirmou Levi, em Maputo, durante as celebrações do Dia Internacional da Mulher.
Segundo a chefe do Governo, a mudança estrutural do sector passa necessariamente pelo reconhecimento do papel determinante da mulher e da rapariga na agricultura.
“Como Governo, a nossa prioridade é transformar produção em rendimento e o rendimento em bem-estar para as famílias moçambicanas”, declarou, sublinhando que a centralidade das mulheres neste processo é incontornável, uma vez que representam uma parcela significativa da força de trabalho agrícola.
Para Benvinda Levi, quando as mulheres têm acesso à terra, à tecnologia, ao financiamento, aos mercados e ao conhecimento, os resultados reflectem-se não apenas no aumento da produção, mas sobretudo na melhoria das condições de vida das famílias e na maior resiliência das comunidades.
“Por essa razão, reforçar a participação e a autonomia das mulheres no sistema agro-alimentar não é apenas uma questão de justiça social, é também uma condição essencial para acelerar o desenvolvimento económico das comunidades e do país”, sublinhou.
A governante acrescentou ainda que colocar as mulheres no centro da transformação económica — sobretudo em sectores onde a sua participação é determinante, como a agricultura — deve caminhar lado a lado com a garantia plena dos seus direitos e da sua segurança.
Ao citar o Programa Quinquenal do Governo 2025-2029, Levi recordou que o documento estabelece como objectivo central acelerar um crescimento económico inclusivo e sustentável, apostando na diversificação da economia. Nesse quadro, a agricultura surge como uma das áreas estratégicas para impulsionar o desenvolvimento nacional, através da modernização do sector, do fortalecimento das cadeias de valor, da criação de pólos de produção e da capacitação dos pequenos produtores.
Também o Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, alertou para desafios que continuam a afectar o papel das mulheres no desenvolvimento. No domingo, o chefe de Estado classificou como preocupante o aumento de casos de violência baseada no género (VBG) no país.
Numa mensagem alusiva ao Dia Internacional da Mulher, Daniel Chapo observou que a celebração deste ano ocorre num contexto marcado por um crescimento dos relatos de violência baseada no género — uma realidade que considera preocupante não apenas por constituir crime à luz da lei.
Segundo o Presidente, a VBG representa igualmente um obstáculo directo aos esforços de desenvolvimento nacional, tendo em conta o papel central que as mulheres desempenham na vida económica, social, cultural e política de Moçambique.
