Uma nova moda nas redes sociais, que consiste em pedir a ferramentas de inteligência artificial como o ChatGPT para gerar caricaturas personalizadas, tem recebido alertas de grandes meios de comunicação sobre os riscos de privacidade associados à recolha de dados faciais e pessoais. O The Sun e o New York Post destacam que esta tendência pode implicar a criação de bases de dados com características biométricas e informação pessoal detalhada, mesmo sem que os utilizadores percebam plenamente o que estão a partilhar.

Segundo o The Sun, especialistas em cibersegurança têm avisado que, ao fazer upload de fotografias para gerar caricaturas, os utilizadores permitem que modelos de IA processem e potencialmente armazenem características faciais, como formato dos olhos, nariz e estrutura óssea, que podem ser consideradas dados biométricos sensíveis.

Da mesma forma, o New York Post publicou que o fenómeno viral tem levado utilizadores a descobrir quão bem estas ferramentas “conhecem” detalhes pessoais graças à informação acumulada nas suas interacções com a IA, e que esse conhecimento pode tornar-se um problema de privacidade se as plataformas armazenarem e reutilizarem esses dados.

Os peritos entrevistados nestes artigos alertam que a recolha contínua de fotografias e outros detalhes pessoais pode ser usada para criar perfis detalhados dos utilizadores ou alimentar bases de dados com informação sensível, abrindo a porta a riscos como deepfakes, roubo de identidade ou uso indevido de dados por terceiros.

Esta questão ultrapassa a simples diversão de transformar uma selfie em caricatura. Trata-se de perceber como e onde esses dados faciais são armazenados, quem pode aceder a eles e com que finalidades futuros sistemas de IA poderão aproveitar essa informação acumulada, cenário já sublinhado por especialistas em debates globais sobre tecnologia e privacidade.