Appload
Não seria possível falar da origem desta ideia sem antes falar do percurso de Claire, a CEO e fundadora da Appload. Claire é francesa, formada em engenharia de transportes, e com experiência profissional em projectos de grande infra-estrutura no Médio Oriente e na África Ocidental.
Foi após uma temporada no Benim e no Níger que Claire rumou para os EUA, para completar o seu mestrado em Harvard e passar a colaborar com o IFC (International Finance Corporation). Entretanto, foi convidada por um amigo do MIT para trabalhar em Moçambique como co-autora de um livro sobre a logística do país. Após ter percorrido Moçambique do Rovuma ao Maputo, e entrevistado mais de 50 empresas, apercebeu-se de que, apesar do desenvolvimento da infra-estrutura, eram ainda vários os constrangimentos que limitavam o potencial deste sector. O custo do transporte de mercadoria do Sul para o Norte de Moçambique chega a corresponder ao dobro do valor do transporte com origem na China; são frequentes os casos em que produtos dos sectores agrícola e de saúde se degradam por falta de soluções atempadas de transporte; e a existência de intermediários neste processo chega a representar 40% do valor do transporte. Foi então que Claire se apercebeu de que um livro iria apenas retratar as potencialidades e lacunas daquele que é um mercado crucial para a região do Sul de África, não solucionaria o problema. E assim nasceu a Appload, uma plataforma online que faz a ponte entre operadores logísticos e clientes que procuram transporte de carga. Esta plataforma funciona da seguinte forma:
• Os clientes cadastram-se na plataforma e registam um pedido de transporte de carga em que preenchem um formulário com as características da mesma;
• Os transportadores são notificados e submetem uma oferta em que especificam o preço e as viaturas usadas, entre outros aspectos;
• Os clientes seleccionam a melhor oferta, pagam, monitorizam a carga até ao destino e avaliam os serviços prestados.
A plataforma beneficia o cliente, na medida em que traz transparência e optimiza o procurement, reduz custos e permite melhor controlo sobre a o transporte. Para os transportadores, as vantagens são essencialmente o acesso ao mercado, receber pagamentos atempadamente e a maximização da rentabilidade das suas viaturas a partir das cargas de retorno. O facto de toda a interacção ser em tempo real dinamiza o transporte e agrega valor a ambas as partes.
O início da operação só foi possível porque existiram investidores individuais que acreditaram no potencial da plataforma. Ter conseguido levantar capital suficiente para o primeiro ano de operação, foi sem dúvida uma meta bastante relevante. Durante esse período, criaram uma equipa jovem constituída por talento local que permitiu à Appload registar mais de 150 transportadores em todo o país, o que representa um universo de cerca de 3.000 camiões. Mais, validaram a solução ao fazer acima de 100.000 Km para transportar mais de 5.000 toneladas para vários clientes, não apenas no mercado doméstico, mas também para a Africa do Sul e ESwatini (Swazilândia).
Arrancaram no começo da pandemia; foi difícil enfrentar um mercado que já se caracteriza por uma cultura conservadora, numa fase particularmente constrangedora para as empresas que foram obrigadas a alterar drasticamente o seu modus operandi e reinventar a sua abordagem ao mercado. Apesar deste período de adversidades, o transporte foi uma das áreas privilegiadas, uma vez que dele dependem vários outros sectores. Outro dos grandes desafios que tiveram foi o de gerir o processo de fund raising e garantir um crescimento da operação em simultâneo, dada a dimensão reduzida da equipa.
Actualmente, tencionam consolidar a sua posição no mercado doméstico, garantindo que o uso do seu aplicativo responda à demanda para as principais rotas do país, particularmente para os sectores de agricultura, saúde e construção. Numa perspectiva a curto prazo, pretendem aumentar consideravelmente o volume de negócio proveniente do transporte transfronteiriço, com foco nos seguintes países: África do Sul, Malawi, Zimbabué e Zâmbia. Pretendem também ganhar robustez na sua estrutura organizacional, com um peso acentuado na equipa de desenvolvedores (TICs), uma vez que têm uma série de novas funcionalidades calendarizadas que respondem às necessidades do mercado identificadas durante o primeiro ano de operação. A visão a médio-longo prazo é de estabelecerem a Appload em mercados vizinhos, através da abertura de escritórios nos mercados estratégicos na SADC, ambicionando tornar-se uma empresa de peso na região.
