O Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique (IAOM) destacou, no âmbito do Mozambique Fashion Forum 2025, os progressos e entraves enfrentados pelas iniciativas de processamento artesanal do algodão, um sector em efervescente expansão nas províncias produtoras. O evento, centrado na moda sustentável, inovação e empreendedorismo, decorre em Maputo e encerra esta terça-feira, 2 de Dezembro.

Segundo a directora de Serviços Centrais de Promoção de Mercados de Acréscimo de Valor do IAOM, Ancha Ismail, estas iniciativas surgem de uma cooperação com a Etiópia, país reconhecido pela sua tradição têxtil, que permitiu formar técnicos moçambicanos em áreas-chave como fiação, tecelagem e fabrico artesanal de equipamentos. Os formandos voltaram ao País como multiplicadores do conhecimento, estabelecendo núcleos comunitários em Cabo Delgado, Nampula e Cuamba (Niassa), hoje equipados e capacitados para integrar toda a cadeia produtiva do algodão.

O IAOM foi instrumental na criação de centros de processamento, disponibilização de matéria-prima, certificação das formações e desenho de modelos de negócio sustentáveis. Com apoio do Fundo de Promoção da Agricultura, Indústria e Comércio (FPLAIC) e em parceria com ONG, empresas têxteis e associações locais, o Instituto consolidou uma rede que funde agricultura, criatividade e empreendedorismo juvenil.

A evolução do sector foi marcada por marcos importantes: o Textile Revival Fund (2019), a Jean Ferreira de Santos (2020), a Netherlands Development Organisation (2021) e, mais recentemente, o Fórum Nacional dos Produtores de Algodão (2023), que lançou uma associação de mobilização comunitária. Esta articulação contribuiu para alicerçar a produção artesanal com identidade própria.

No plano da moda, a estilista Isis Mbanga foi peremptória: “O algodão moçambicano tem potencial para conquistar mercados internacionais se houver investimento contínuo na formação e na qualidade.” Sublinhou ainda o papel do trabalho comunitário na afirmação do made in Mozambique, elogiando a capacidade do País competir com marcas africanas já estabelecidas.

O empoderamento feminino foi outro ponto-chave. Ancha Ismail realçou o envolvimento decisivo das mulheres nas etapas de fiação, tingimento, corte e costura. Estas actividades têm resultado em autonomia económica e geração de rendimento, promovendo uma participação mais inclusiva e estruturada na cadeia de valor.

No plano económico, os impactos já são visíveis: criação de emprego, valorização do algodão local, dinamização do microcrédito feminino e desenvolvimento de produtos que cruzam tradição e modernidade. Porém, o desafio da internacionalização continua, bem como a necessidade de certificação global e de maior acesso a mercados competitivos.

Para o futuro, o IAOM projecta um posicionamento ambicioso: consolidar Moçambique como referência em moda sustentável, desenvolver colecções de luxo femininas e tornar o selo made in Mozambique sinónimo de qualidade, cultura e inovação no panorama internacional.