Alcance Editores
Rui Rocha, Administrador Executivo da Alcance Editores, na primeira pessoa
“A Acance Editores é uma editora 100% moçambicana, com cerca de 100 colaboradores. Uma empresa de criação, comercialização e distribuição de livros escolares e de literatura, em geral. Fundada em 2007, a empresa tem actualmente parcerias e representação de outras editoras, de todo o mundo, uma carteira de aproximadamente 2.000 clientes, que inclui mais de 33% das 100 maiores empresas de Moçambique. Temos como missão, a cada momento, prestar um serviço personalizado e fiel, consoante as necessidades dos nossos clientes, e sermos eficientes e competitivos. A nossa visão é ser e estar como referência no nosso ramo de actuação, acompanhar as tendências e procurar um aprimoramento continuo e constante inovação.
Estes 15 anos foram anos de muito trabalho. Anos em que tivemos um crescimento sustentável, dinâmico e sempre no intuito de melhorar o serviço prestado. Foram anos de aprendizado, de trocas de experiências em Moçambique e no estrangeiro, e, acima de tudo, de reconhecimento do nosso trabalho a nível nacional. Hoje chegamos a qualquer parte do país e as pessoas conhecem a Alcance Editores e o seu trabalho. Temos muitos autores, muitos livros publicados, expandimos para o mercado internacional e desenvolvemos conteúdos específicos nas várias temáticas editoriais, sendo o nosso foco principal o escolar e a literatura moçambicana. Nos últimos 4 anos, passámos a dar expressão ao conteúdo e ao livro. Começámos em 2017, com a produção de 52 novos livros, e, anualmente, temos estado a crescer. Em 2021, vamos terminar o ano com 96 novos livros publicados e produzidos. Os próximos anos serão de muitos desafios, acima de tudo para manter o bom nome da empresa, desenvolver novos conteúdos escolares, principalmente no ensino secundário, uma área em que temos pouca dinâmica, e abraçar novos projectos na área técnica e profissional.
A literatura moçambicana tem estado em franco crescimento, com uma perspectiva de escrita, crítica e análise literária muito maior. Prova disso são os “novos” escritores que se têm desenvolvido analisando e recolhendo experiências dos “mais experientes”. Nota-se interesse em escrever, em publicar, em mostrar as ideias. Esse é o primeiro passo para se saber estar neste mundo da arte da escrita, delicado e nem sempre bem cuidado. Moçambique é um país de grande diversidade cultural. A literatura do país é bastante forte, tendo nomes de peso nas mais variadas áreas. Isso é bom, pois são exemplos que cativam a melhoria da nossa literatura. Nota-se a preocupação da Associação de Escritores Moçambicanos, das diversas fundações, dos núcleos de literatura, dos próprios escritores que existem nas províncias, em desenvolver esta área e mostrar a importância da leitura e escrita. E naturalmente isso acaba por ser sinónimo de melhoria na nossa literatura.
A aposta não é no jovem, a aposta é geral, queremos divulgar a literatura moçambicana, esse sim, é o ponto. A nossa literatura precisa de ser divulgada, acarinhada, protegida, incentivada, pois só assim teremos mais qualidade, mais trabalho, mais interesse, mais hábito pela leitura e escrita. Só assim teremos mais e melhor educação e cultura.
Calane da Silva foi um dos nossos primeiros autores. Ele acreditou na Alcance Editores e nos objectivos que tínhamos. Era uma pessoa que acompanhava o nosso percurso, apresentava ideias, sugestões, tinha uma relação muito próxima com a Editora e mostrava isso publicamente. Foi membro do júri do Concurso Literário Alcance Editores, desde o início, e era parte integrante da crítica e apoio aos autores que foram vencendo o prémio. Hoje este concurso denomina-se Concurso Literário Calane da Silva, pois consideramos ser uma justa homenagem a um dos ícones da nossa literatura. Quando abordámos a família, para apresentar a ideia, ela foi bem acolhida. É um nome que valoriza naturalmente o prémio, mas também mostra a vertente literária a todos os novos escritores, como um exemplo que devem seguir.
A responsabilidade social é parte activa do nosso projecto e do nosso crescimento como editora. Anualmente apoiamos escolas e instituições com livros, palestras, encontros com alunos, professores, encarregados de educação, por forma a incentivar a leitura e a escrita, fazendo uma junção entre educação e cultura, entre empreendedorismo e desenvolvimento humano. No ano 2021, estivemos a nível nacional em mais de 100 escolas, com campanhas de responsabilidade e investimento social.
A leitura melhora o aprendizado dos estudantes, pois estimula o bom funcionamento da memória, desenvolve a capacidade interpretativa, ajuda a ter um raciocínio claro, dinâmico e activo, além de proporcionar ao leitor um conhecimento amplo e diversificado dos mais variados assuntos. O livro é uma das maiores invenções a que o homem tem acesso. Por este meio transmitem-se conhecimentos, culturas variadas. O nosso país tem acolhido o livro e os seus escritores ainda em pouca escala, e isto deve ser trabalhado. Existe a perspectiva de se desenvolver um Plano Nacional de Leitura, englobando livros de autores moçambicanos, de diversas áreas nacionais, e torná-lo parte integrante dos planos curriculares, actualizando os livros em função das disciplinas e dos novos currículos que estão a ser trabalhados. A Alcance Editores tem tido várias conversas neste sentido e manifestado o interesse de ser parte activa deste processo. Esperamos que este projecto avance, e que, juntamente com as editoras, os Ministérios da Educação e Desenvolvimento Humano e da Cultura e outros organismos, se possa definitivamente avançar para este plano.
O mercado livreiro teve uma melhoria entre os anos 2016 e 2019, com várias livrarias a aparecerem a nível nacional, com a busca e procura de livros para fazerem parte dos acervos das livrarias, com dinâmicas interessantes e eventos com autores nos espaços, e isto naturalmente fez com que expandisse esta área de negócio. A partir de 2020, voltámos a sentir que este mercado está a decrescer. Poucas livrarias existem hoje a nível nacional, a maior parte delas a comprar poucos livros e a ter uma fraca dinâmica cultural. O mercado mostra que as pessoas ainda vão pouco às livrarias, e, naturalmente, o investimento das livrarias acaba por ser mais pequeno e mais reduzido. Acredito que irão novamente mostrar crescimento, e assim esperamos, para bem da literatura.
Os objectivos da Alcance Editores para os próximos anos são:
Passar conhecimento, pois os livros transmitem conhecimento e/ou saberes. O conhecimento humano deve muito aos livros, que permitiram que cada geração mostrasse às gerações seguintes o que aprendeu, os seus testes, as pesquisas e os resultados bem sucedidos. Ao lermos bons livros, estamos a interagir com o conhecimento nos mais diversos domínios.
Promover a educação e cultura, pois os livros ajudam a transmitir valores culturais e a desenvolver a capacidade de debater, de analisar os diversos estilos de vida, de arte, os modos de pensar e de se relacionar em sociedade. A leitura alarga os nossos horizontes.
Contribuir para o desenvolvimento da capacidade de análise crítica, pois os livros ajudam-nos a desenvolver a nossa capacidade de ler e interpretar das mais variadas maneiras e de forma efectiva, com uma postura isenta, mas crítica. Quando criticamos algo que achamos bom ou mau, precisamos de o fazer com critério, e concretamente, e de demonstrar, argumentando. Para isso, ler é fundamental.
Fomentar o gosto pela leitura e pela escrita, pois os livros são uma boa base para o Saber Estar, Saber Ser e Saber Fazer. O hábito de leitura ajuda a desenvolver os nossos argumentos, as nossas palavras, o uso do idioma, entre muitas outras importantes competências numa sociedade.
Estes são os principais objectivos com que a Alcance Editores, no seu trabalho ano após ano, pensa e produz, para que existam mais livros, mais leitores, mais educação e cultura.
